O propósito do esporte na inclusão
ONG "Amigos da Inclusão" atua há três anos promovendo acolhimento, inclusão e apoio às famílias de pessoas neurodivergentes por meio do esporte
Publicado: 03/06/2026 às 12:03
Ano após ano, a expectativa é de que a ação da ONG cresça e possa alcançar cada vez mais pessoas (Foto: Divulgação/ONG Amigos da Inclusão)
O esporte tem sido o propósito-guia de um trabalho que promove inclusão, acolhimento e apoio às famílias de pessoas neurodivergentes e instituições da causa há três anos no Recife. A ONG Amigos da Inclusão busca fortalecer uma rede de apoio e colaboração para aqueles que muitas vezes foram segregados na sociedade.
O fundador da ONG, Kadu Lins, explica a missão do projeto, que atende, gratuitamente, 800 famílias por mês, nos quatro polos espalhados na capital pernambucana: em Campina do Barreto, na Zona Norte; na Imbiribeira, Pina e Boa Viagem, ambos os bairros na Zona Sul.
“A ONG Amigos da Inclusão olha no esporte o potencial para desenvolver crianças e adolescentes atípicos, juntamente com suas famílias. Por meio de diversas modalidades, como vôlei, futebol, tênis, beach tênis e corrida, tentamos dar uma melhor qualidade de vida e um maior desenvolvimento terapêutico para as famílias atípicas e os seus filhos", comenta.
Tudo começou pela paixão pelo esporte, relembra Kadu. “Sou apaixonado pelo poder transformador do esporte na vida das pessoas e, com famílias atípicas e crianças, adolescentes atípicos, não seria diferente; foi isso que me colocou nesse mundo”.
O fundador destaca que a prática do exercício físico tem o poder de melhorar o humor, de melhorar condições genéticas, hormonais, físicas e emocionais. Para além do esporte, a ONG desenvolve ações de conscientização, eventos educativos e projetos que promovem acessibilidade, convivência e fortalecimento comunitário.
E não só a neurodiversidade tem desafios. A ONG enfrenta seus próprios obstáculos, diz o fundador.
“É preciso admitir que as dificuldades são enormes. Desde os locais, sem a preparação adequada para a prática das atividades, a dificuldade de angariar voluntários, até a desconfiança das famílias de que aquele projeto é real. Parece ser tão bom para ser verdade que elas desconfiam se realmente têm direito àquilo quando são convidadas a participar”, comenta.
Apesar disso, Kadu tem bom ânimo e esperança. “A gente vai vencendo, na verdade, uma luta por vez, uma batalha a cada dia”, pontua. O trabalho dos Amigos da Inclusão segue se superando para continuar na missão.
“A principal motivação da gente, de fato, é ver todas essas dificuldades e, ainda assim, no final do dia, no final de cada sessão, no final de cada mês, a gente vê o quanto impactou a vida de cada pessoa, de cada participante de cada um desses nossos projetos, de uma forma com um real impacto ali que vai ajudar cada vez mais o mundo a ser um lugar melhor”, diz.
Ano após ano, a expectativa é de que a ação da ONG cresça e possa alcançar cada vez mais pessoas, estima Kadu Lins.
“A ONG hoje atende cerca de 800 famílias por mês, em quatro polos, e a gente tem como objetivo aumentar isso para cerca de 2.500 famílias por mês e aumentar pelo menos para uns oito polos. Queremos isso até o final de 2026. Isso perpassa por a gente ter mais voluntários, mais doações, mais pessoas engajadas no projeto, mas essa é a nossa meta”, projeta.