Defesa Civil interdita 17 imóveis após incêndio que destruiu lojas no Centro do Recife
Segundo a Defesa Civil do Recife, os 17 imóveis interditados corresponde às sete lojas diretamente atingidas pelo incêndio e outras 10 que estão localizadas no perímetro isolado, que inclui trechos das ruas de Santa Rita, Padre Muniz e do Nogueira
Publicado: 25/05/2026 às 14:17
Equipe da Defesa Civil do Recife fez vistoria nos imóveis atingidos pelo incêndio nesta segunda (25) (RAFAEL VIEIRA/DP)
A Defesa Civil do Recife precisou interditar, nesta segunda-feira (25), 17 imóveis localizados nas ruas de Santa Rita, Padre Muniz e do Nogueira, no bairro de São José, na área central da capital pernambucana, após o incêndio que destruiu lojas no fim de semana.
Esse quantitativo corresponde às sete lojas diretamente atingidas pelas chamas e outras 10 que estão localizadas em perímetro isolado. Além disso, a Defesa Civil do Recife informou que um dos estabelecimentos comerciais estará autorizado a abrir nesta terça (26).
Com relação às outras lojas que não foram atingidas diretamente, os responsáveis poderão retirar os materiais com acompanhamento de funcionário da Defesa Civil.
As vistorias continuarão na tarde desta segunda (25) a fim de que seja elaborado um relatório de recomendações técnicas destinado aos proprietários das sete lojas atingidas pelo incêndio.
Conforme informou o secretário da Defesa Civil do Recife, Coronel Cassio Sinomar, toda a avaliação da área será finalizada ainda nesta segunda-feira (25) e existe a possibilidade de diminuir o perímetro interditado.
“A gente precisa avaliar cada imóvel, haja vista todo o calor e a temperatura que eles receberam. Depois disso, haverá toda uma avaliação do cenário, para ver se as ruas serão liberadas, pois tem paredes e estruturas que estão com risco de cair, adiantou.
“Então, a gente precisa fazer essa avaliação, eliminar todo esse risco, para poder liberar toda a área para fluidez de carros e transeuntes”, explicou o coronel Sinomar, em entrevista na manhã desta segunda (25).
Ainda de acordo com a Defesa Civil do Recife, seis dos sete imóveis atingidos diretamente tiveram a estrutura do teto parcialmente destruída.
Outro ponto destacado pelo Coronel Cassio Sinomar é com relação à remoção das estruturas que estão com risco de queda. Segundo ele, essa retirada é de responsabilidade dos proprietários das lojas.
“A gente vai fazer todas as recomendações necessárias para que os proprietários das lojas tomem as providências cabíveis, pois existe o risco de desabamento de algumas paredes, as fachadas estão danificadas. As recomendações que iremos fazer é realizar a eliminação dessas estruturas que estão com risco, para que tenha uma segurança para a população trafegar pelo local”, explicou.
Situação da Igreja de Santa Rita de Cássia
Com relação à Igreja de Santa Rita de Cássia, que fica próxima ao local do incêndio, o coronel Cassio Sinomar disse que a Defesa Civil fez uma avaliação do local e não haverá necessidade de interdição.
A igreja, que teve toda construção finalizada em 1831, enfrentou outro grande incêndio em 1889, sendo um dos locais atingidos na ocasião.
Segundo registros históricos da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), a imagem de Santa Rita de Cássia na época teria permanecido intacta, fato considerado milagroso pelos fiéis e que ajudou a fortalecer a devoção à santa em Pernambuco.
Adequação às nova regras
Conforme a Defesa Civil, o quantitativo de lojas conjugadas e a falta de adequação dos proprietários às novas regras de combate a incêndio acaba favorecendo o número de acidentes deste tipo em estabelecimentos no Centro do Recife.
“A gente tem um cenário de muitas lojas conjugadas, onde há muitos estoques”, comentou o coronel. “Cabe aos lojistas fazerem todo esse processo de adaptação para tentar evitar o máximo esses acidentes possíveis”.
Prejuízos
Os proprietários das lojas atingidas pelo incêndio e interditadas pela Defesa Civil se recusarem a gravar entrevista com a reportagem do Diario de Pernambuco.
Já os vendedores ambulantes que guardavam suas mercadorias nos imóveis atingidos pelo incêndio relataram um prejuízo que pode chegar a R$ 40 mil.
“Perdi 95% de toda minha mercadoria que estava no estoque de um dessas lojas que foram atingidas. Ainda não consegui entrar entrar no estoque, que era alugado, para ver todo o prejuízo, mas as imagens de drone que circulam nas redes sociais mostram o tamanho do estrago, que gira em torno de R$ 40 mil em mercadorias”, lamentou o vendedor ambulante Edimilson Silva, de 52 anos.
Edimilson Silva relata que só recebeu a notícia do incêndio no começo da manhã do sábado (23) e quando chegou ao local, presenciou um cenário de desolação.
“Quando eu acordei no sábado, vi as mensagens do meu filho falando sobre o incêndio das lojas e vim para o local. Quando cheguei vi o pior cenário possível. Era um cenário de desolação, porque estava tudo interditado e sem energia. As lojas estavam sem funcionar. Algo bem triste”, relembra.
Apesar de todo ocorrido, Edimilson agradece a Deus por não ter tido nenhuma morte no incêndio. Com relação ao prejuízo, ele afirma que tentará trabalhar com o restante dos materiais que sobrou.
“Primeiramente, temos que agradecer a Deus por ter tido apenas danos materiais, apesar de terem sido enormes. Ainda tenho algumas mercadorias no meu box e irei voltar a trabalhar com o que tenho. Também estou recebendo ajuda de amigos e comerciantes locais e assim irei recomeçar meu trabalho”, finalizou.