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MPPE aponta falhas em estudos ambientais de empreendimento imobiliário em Maracaípe

Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) requeriram correções nos estudos amientais do empreendimento imobiliário "Maracaípe Beach Living", em Ipojuca, no Grande Recife

Adelmo Lucena e Nicolle Gomes

Publicado: 15/05/2026 às 17:18

A Pernambuco Construtora deve estabelecer um canal de atendimento específico para os consumidores que compraram unidades no Maracaípe Beach Living.
/(Reprodução/ Redes Sociais)

A Pernambuco Construtora deve estabelecer um canal de atendimento específico para os consumidores que compraram unidades no Maracaípe Beach Living. ((Reprodução/ Redes Sociais))

Após identificar falhas nos estudos ambientais do projeto do “Maracaípe Beach Living”, em Ipojuca, no Grande Recife, os ministérios públicos Federal e de Pernambuco solicitaram à Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) correções no projeto do empreendimento imobiliário. As informações foram divulgadas nesta sexta (15).

O documento envido à agência aponta omissões relacionadas aos cavalos-marinhos e a outras espécies da fauna local, além da necessidade de consulta a comunidades tradicionais.

“Os laudos demonstram a existência de lacunas no EIA/Rima do empreendimento, as quais devem ser corrigidas para fins de ser realizada a devida análise técnica da viabilidade ambiental do empreendimento”, frisam os procuradores da República Mona Lisa Duarte Aziz e Alfredo Falcão Jr., e os promotores de Justiça Belize Câmara e Luiz Eduardo Braga Lacerda.

Dessa forma, a CPRH deverá exigir complementos no Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e no Relatório de Impacto Ambiental (Rima) do empreendimento imobiliário, para que a viabilidade ambietal do projeto seja avaliada.

Foi dado um prazo de dez dias úteis, a contar do recebimento do ofício, para que seja informado se a agência vai acatar as determinações. Em caso de descumprimento, o MPF e o MPPE advertem que adotarão as providências judiciais e extrajudiciais cabíveis.

Laudos

Segundo o MPF, de acordo com laudos elaborados por peritos do órgão, o diagnóstico ambiental apresentado pela Pernambuco Empreendimentos e Participações SPE Maracaípe, empresa interessada em implantar o projeto (flat-service com mais de 600 unidades), apresenta diversas falhas.

“Toda intervenção antrópica em um ambiente natural causa danos, a depender da região, terá impacto na fauna e flora. Por isso a necessidade de um Estudo de Impacto ambiental, para que seja elaborado o relatório de Impacto Ambiental, e prever quais ações deverão ser tomadas para amenizar o impacto, bem como de que forma a compensação ambiental deverá ser feita”, explica o doutor em Oceanografia Biológica e professor da UFRPE, Paulo Oliveira.

Ele salienta que qualquer intervenção feita no litoral ou na zona costeira terá, de forma direta ou indireta, implicações no ambiente terrestre e aquático, nos animais e plantas que são encontrados nestes locais.

Dentre as irregularidades apontadas pelo MPPE, está o fato de os cavalos-marinhos não terem sido registrados nos estudos, apesar de estarem nos manguezais e nos ecossistemas de recifes da área de influência do empreendimento, além de constarem na lista de espécies ameaçadas.

“Os cavalos-marinhos são muito sensíveis e apresentam uma grande dependência da vegetação do mangue para realizar atividades inerentes ao seu ciclo de vida. Outro ponto importante diz respeito a qualidade da água, que deve ter nutrientes e oxigênio na medida certa”, acrescenta.

Além disso, o MPPE alega que o estudo apresentado pela empresa afirma que a área pretendida para a instalação do empreendimento não é de reprodução regular de tartarugas marinhas, informação contestada pelos peritos do MPF.

O órgão alega que o local está inserido em um trecho de reprodução regular de quelônios marinhos, o que exige cuidados específicos para evitar interferências no comportamento dessas espécies ameaçadas.

“Nós podemos ter desde a supressão da vegetação, que pode interferir diretamente o habitat desses animais, além a contaminação de corpos d’água, por resíduos provenientes do processo de construção. Contudo, vale a pena salientar que essas questões devem ser abordadas no respectivo relatório, explicando as maneiras de remediar os ‘danos’”, complementa o Oliveira.

Os peritos também ressaltaram que o EIA/Rima não sistematizou informações sobre organismos que vivem no fundo do mar (fauna bentônica), ignorando a importância deles para o funcionamento do ecossistema.

Outro ponto central do laudo foi a ausência de uma Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) sobre o projeto junto às comunidades tradicionais.

O especialista em Oceanografia Biológica destaca, ainda, que existem exemplos de edificações pensadas em harmonia com o meio ambiente, como com tratamento dos efluentes do empreendimento e reflorestamento.

Requerimentos

O MPF e o MPPE requisitaram que a CPRH exija à empresa Pernambuco Empreendimentos a complementação do EIA/Rima antes de qualquer decisão final sobre a viabilidade do projeto.

Para isso, é preciso que sejam propostas medidas específicas para prevenir e mitigar possíveis impactos ambientais negativos relacionados à fauna marinha e realizada consulta prévia às comunidades afetadas pela obra.

O que diz a CPRH

Procurada pelo Diario de Prenambuco, a CPRH informou, por meio de nota, que recebeu do MPPE ofício contendo contribuições referentes à análise do EIA/RIMA do empreendimento Maracaípe Beach Livign, assim como manifestações encaminhadas por outras instituições participantes da análise.

“O procedimento de encaminhamento de contribuições integra o rito do processo do licenciamento ambiental. Todas as contribuições recebidas pela CPRH estão sendo avaliadas pela equipe técnica multidisciplinar, responsável pela análise do projeto citado”, finaliza o texto.

O que diz a Pernambuco Construtora

A Pernambuco Construtora, responsável pelo empreendimento, ifnormou que não recebeu até o momento o documento citado na matéria.

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