Leptospirose: o perigo silencioso trazido pelas chuvas e alagamentos
A doença é um das consequências do contato, muitas vezes inevitável, com as águas de áreas inundadas
Publicado: 06/05/2026 às 20:10
Pernambuco tem mais de um caso de leptospirose por semana em 2026 (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
Pernambuco registrou mais de um caso de leptospirose por semana em 2026, de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE). Segundo a pasta, 28 pessoas tiveram a doença no estado até o último dia 18 de abril e, desse total, seis pacientes acabaram vindo a óbito.
Ao longo de todo o ano passado, 56 pessoas perderam a vida após serem contaminadas no estado. A leptospirose é uma doença grave causada pelo contato com bactérias presentes na urina de roedores, como ratos, e que normalmente se espalha pela água suja de alagamentos e enchentes. Em períodos chuvosos, o risco de contaminação aumenta.
Em comparação com o mesmo período de 2025, quando 85 casos de leptospirose foram confirmados, houve uma redução de 67%, segundo a SES. Apesar disso, o alerta de cuidado com a doença se mantém nesse período de muita chuva, como explica o diretor-geral de Vigilância Ambiental e Saúde do Trabalhador da SES-PE, Eduardo Bezerra.
“O principal meio de transmissão da leptospirose é a água no período chuvoso, que arrasta a urina do rato de telhados, terrenos, interior de casas e ruas. Temos esse cuidado grande com alagamentos, porque eles bloqueiam a passagem das pessoas que, muitas vezes, são obrigados a passar pela água e acabam expostas. Todo período de chuva forte a gente espera aumento de casos”, detalha Bezerra.
A leptospirose entra no corpo por meio de microfissuras na pele que muitas vezes são invisíveis a olho nu, acrescenta o diretor. Por isso, o contato com água empoçada representa um risco à saúde. No entanto, muitas vezes, ele é inevitável. “A leptospirose começa com febre e sintomas parecidos com os das arboviroses. Depois de alguns dias, ela volta com sintomas clássicos: dor na batata da perna, rigidez, e aí vai piorando para outras situações, como problemas renal e hepático”, explica o diretor da SES. Segundo ele, existe a dificuldade, tanto para a população quanto para os profissionais de saúde, em detectar os sinais e sintomas.
Além da leptospirose, o contato com água de poças também tem risco de contaminação por outras doenças, como tétano, hepatite A e as chamadas Doenças Diarreicas Agudas (DDA), que podem ser causadas por diferentes microorganismos que geram a gastroenterite.
Nestes casos, após a exposição arriscada, é preciso estar atento às alterações na saúde. “Se a pessoa entrar em contato com água empoçada, a orientação é lavar a região com água e sabão para higienizar. Procurar unidade de saúde também é importante. No intervalo de 30 dias, se tiver febre, é preciso avisar ao profissional de saúde do contato com a água empoçada, porque são doenças que se iniciam com a febre”, orienta Bezerra.
Ele detalha, ainda, que a febre é o sintoma que demanda maior atenção nessas circunstâncias. “É importante prestar atenção na febre como sinal que vai desencadear o cuidado”. Ele lembra que as arboviroses, alguns tipos de diarreias, leptospirose e tétano são doenças que começam com febre. E que esse é um sintoma que não deve ser negligenciado.
Diante dos riscos, mesmo com os desafios, é importante destacar medidas de proteção. O Ministério da Saúde orienta o uso de botas impermeáveis e luvas ao transitar em áreas inundadas para reduzir significativamente o risco de contato direto com água contaminada.
Outras instruções são cobrir cortes ou arranhões com bandagens à prova d’água para evitar contato com bactérias e descartar alimentos que tenham entrado em contato com água de enchente.