PRF aponta excesso de velocidade como principal causa de acidente com 17 mortos em Saloá
Documento da PRF aponta velocidade de 90 km/h em trecho onde o limite seguro seria de 60 km/h
Publicado: 04/05/2026 às 23:07
Acidente com ônibus em Saloá deixou 17 mortos em 2025 (Foto: Reprodução/Whatsapp)
Um laudo pericial da Polícia Rodoviária Federal (PRF) concluiu que o excesso de velocidade foi a causa determinante do acidente com um ônibus que deixou 17 mortos e dezenas de feridos na BR-423, na Serra dos Ventos, em Saloá, no Agreste de Pernambuco, em outubro de 2025.
De acordo com o documento, ao qual o Diario de Pernambuco teve acesso, o veículo trafegava a cerca de 90 km/h em um trecho de descida com curva acentuada, onde a velocidade segura seria de, no máximo, 60 km/h, condição que tornou impossível manter o controle da direção.
O acidente ocorreu no dia 17 de outubro do ano passado, por volta das 19h20, no km 127 da rodovia, em um dos trechos mais críticos da Serra dos Ventos, caracterizado por descida íngreme, curvas sinuosas e ausência de iluminação. O ônibus, um modelo Scania/Comil Campione R, transportava passageiros que retornavam do Polo de Confecções do Agreste.
Dinâmica do acidente
A reconstituição técnica aponta que o ônibus iniciou a descida da serra e, ao se aproximar da segunda curva do trecho, aumentou a velocidade de forma significativa. Para tentar contornar a curva, o motorista chegou a invadir o acostamento, numa tentativa de ampliar o raio de giro.
Sem sucesso, o condutor perdeu o controle direcional. O veículo entrou na contramão, percorreu cerca de 79 metros em derrapagem e colidiu com um talude às margens da rodovia, atingindo principalmente a lateral esquerda. Em seguida, ainda desgovernado, o ônibus voltou à pista, percorreu mais 38 metros e colidiu com um barranco de terra. Ao subir parcialmente esse obstáculo, perdeu estabilidade e tombou.
A perícia identificou que o impacto e o tombamento geraram forte desaceleração, suficiente para arrancar poltronas e lançar passageiros dentro e para fora do veículo.
Dados do tacógrafo e da telemetria confirmaram que o ônibus trafegava próximo de 90 km/h no momento do acidente. A análise também mostrou que o veículo chegou a acelerar ao entrar na curva, passando de cerca de 58 km/h para mais de 90 km/h em poucos segundos.
Segundo o laudo, essa velocidade é “totalmente incompatível” com a geometria da via, especialmente em um trecho de descida com curva de raio reduzido. A combinação entre alta velocidade e características da pista tornou fisicamente inviável a manutenção da trajetória.
Alta velocidade
De acordo com o relatório, o ônibus trafegava próximo de 90 km/h no momento do acidente. A análise também mostrou que o veículo chegou a acelerar ao entrar na curva, passando de cerca de 58 km/h para mais de 90 km/h em poucos segundos.
Segundo o laudo, essa velocidade é “totalmente incompatível” com a geometria da via, especialmente em um trecho de descida com curva de raio reduzido. A combinação entre alta velocidade e características da pista tornou fisicamente inviável a manutenção da trajetória.
Apesar de o motorista ter relatado perda de freio, a análise técnica não encontrou indícios de falha no sistema de frenagem antes do acidente. Imagens de uma câmera de segurança registraram o funcionamento adequado dos freios momentos antes, com redução de velocidade e acionamento das luzes.
Motorista dirigia sem descanso
A perícia identificou ainda que o motorista dirigia há 4 horas e 25 minutos sem pausa, descumprindo a legislação que exige intervalo mínimo após 4 horas de condução contínua. A fadiga é apontada como fator que pode comprometer atenção, reflexos e tomada de decisão.
Outro ponto foi o não uso de cintos de segurança. Apesar de o ônibus estar equipado, a maioria dos dispositivos estava embutida nos assentos, indicando que não foram utilizados. Isso contribuiu para a gravidade das lesões, já que vários passageiros foram arremessados.
O ônibus estava regular para o transporte interestadual por fretamento, com autorização da ANTT e documentação em dia, exceto pelo licenciamento vencido. O condutor possuía habilitação adequada e curso especializado válido.
Falhas na sinalização
O laudo também apontou problemas na sinalização do trecho, já que não havia placas claras indicando o limite de velocidade na área do acidente. A única placa existente, de 30 km/h, estava localizada em trecho urbano anterior e não era válida para o local.
Já a sinalização horizontal indicando 50 km/h estava desgastada e de difícil visualização, principalmente à noite, período em que ocorreu o acidente. Técnicos indicam que a falta de sinalização adequada contribuiu para reduzir a percepção de risco por parte do motorista.
A perícia recomenda melhorias urgentes na sinalização da Serra dos Ventos, além de reforço na fiscalização e na orientação de motoristas e empresas de transporte para reduzir o risco de novos acidentes no trecho.