Pernambuco atendeu 3,5 mil pessoas para diagnóstico de neurodivergência em cinco meses
Estado afirma ter eliminado filas em unidades especializadas após mudanças na estrutura
Publicado: 04/05/2026 às 06:00
Entre agosto e dezembro de 2025, foram realizados aproximadamente 3.598 atendimentos voltados ao processo diagnóstico de neurodivergência em pernambuco (Foto: Freepik)
Mais de 3,5 mil pessoas foram atendidas para diagnóstico de neurodivergência em Pernambuco entre agosto e dezembro de 2025, após a ampliação da rede pública com equipes multiprofissionais em unidades especializadas. Os dados são da Secretaria Estadual de Saúde (SES-PE) e se referem a consultas com neurologistas, fonoaudiólogos, psicólogos e terapeutas ocupacionais.
A ampliação do acesso ao diagnóstico passou a ocorrer nas Unidades Pernambucanas de Atenção Especializada (UPAEs), que começaram a ofertar esse tipo de atendimento em agosto de 2025. Atualmente, o serviço está disponível nas unidades localizadas em Carpina, Caruaru, Escada, Palmares, Recife e Ouricuri. Segundo a SES-PE, a implantação das equipes multiprofissionais nessas unidades permitiu reorganizar o fluxo de atendimento e ampliar a oferta de consultas reguladas pelo estado.
De acordo com a secretaria, desde a implementação desse modelo não há filas de espera para avaliação diagnóstica nas UPAEs. O agendamento ocorre por meio do sistema de regulação do Sistema Único de Saúde (SUS), a partir do encaminhamento feito, prioritariamente, pela Atenção Primária à Saúde, nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
O atendimento a pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições de neurodiversidade integra a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência, instituída pelo Ministério da Saúde.
Nessa estrutura, os Centros Especializados em Reabilitação (CER) concentram serviços voltados ao diagnóstico, acompanhamento e reabilitação, com atuação multiprofissional. Em Pernambuco, esses centros funcionam em diferentes modalidades, com oferta de reabilitação física, intelectual, auditiva e visual.
Além das UPAEs e dos CERs, o acompanhamento também ocorre na Atenção Primária e em ambulatórios especializados municipais. Casos que demandam maior complexidade podem ser encaminhados para serviços de média e alta complexidade, conforme a necessidade clínica e a disponibilidade na rede.
Atendimentos aumentam no HSE
O Ambulatório Neurodivergente do Hospital dos Servidores do Estado (HSE) registrou crescimento de 23,45% no número de atendimentos no primeiro trimestre do ano. Ao todo, foram 13.252 pacientes atendidos no período, sendo 4.085 em janeiro, 4.124 em fevereiro e 5.043 em março.
O serviço atende crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e ansiedade, e integra o Centro de Reabilitação Funcional e Cognitiva (CRFC). Os pacientes são encaminhados por pediatras e neurologistas.
O ambulatório tem equipe multidisciplinar formada por psicólogos, neuropsicólogos, pedagogo, neuropsicopedagogo, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, musicoterapeutas e assistentes terapêuticos, além de terapia assistida por cães.
A superintendente do Centro de Reabilitação Funcional e Cognitivo do Hospital dos Servidores do Estado (HSE), Camila Matias, afirma que o serviço foi estruturado para atender de forma integrada crianças e adolescentes com transtornos do neurodesenvolvimento, com foco tanto no paciente quanto na família. “O nosso ambulatório surgiu não só como um espaço essencial, mas como um espaço integral”, diz.
Camila Matias ressalta ainda que o preconceito em torno da neurodivergência está associado à falta de informação. “O preconceito ainda está muito ligado à falta de conhecimento, e isso é o que mais prejudica”, diz. Para ela, o acolhimento e o trabalho com familiares são partes importantes do atendimento.
O HSE é vinculado ao Instituto de Atenção à Saúde e Bem-estar dos Servidores do Estado de Pernambuco (Sassepe). Agendamentos são realizados por telefone e pela internet.
Filas de espera e investimentos
A SES-PE informou que o estado regula e monitora vagas em serviços específicos, como no Centro Especializado em Reabilitação IV da Fundação Altino Ventura, que dispõe de 200 vagas para avaliação e reabilitação por equipe multiprofissional. Já o acesso aos demais CERs ocorre por regulação municipal, e o estado não consolida dados sobre filas nessas unidades.
Em relação ao tempo de espera para consultas, exames e terapias, a secretaria afirma que não há um parâmetro único aplicável a toda a rede. Segundo o órgão, o prazo varia de acordo com a especialidade, a prioridade clínica, a organização regional e o volume de solicitações. O agendamento segue critérios que consideram a gravidade dos casos, a ordem de entrada no sistema e a oferta de vagas disponíveis.
A ampliação da rede faz parte do programa Pernambuco Acessível, lançado em 2025 com previsão de investimento superior a R$ 400 milhões. A iniciativa reúne ações voltadas à estruturação da rede de atenção à pessoa com deficiência, incluindo estratégias para diagnóstico precoce, acompanhamento multiprofissional e apoio a famílias e cuidadores.
Entre os serviços ofertados na rede pública estão avaliação e diagnóstico multiprofissional, acompanhamento contínuo na Atenção Primária, reabilitação nos Centros Especializados em Reabilitação, atendimento em ambulatórios especializados e suporte a familiares. O estado também aponta a utilização de ferramentas como telessaúde, além da atuação integrada entre equipes da Atenção Primária, Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), CERs e UPAEs.
Como parte da expansão da rede, há previsão de implantação de novos Centros Especializados em Reabilitação em municípios como Petrolina, Serra Talhada e Caruaru, com o objetivo de ampliar a oferta de serviços fora da Região Metropolitana do Recife. Também está prevista a instalação de estruturas como salas sensoriais em municípios.