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PROCESSO

MPPE pede júri popular para delegado que atirou em homem em Fernando de Noronha

O delegado Luiz Alberto Braga de Queiroz atirou na perna do comerciante Emmanuel Apory durante uma festa em Fernando de Noronha, no dia 5 de maio de 2025. Vítima teve a perna amputada

Nicolle Gomes

Publicado: 26/04/2026 às 21:02

Delegado Luiz Alberto Braga tornou-se réu após Justiça acatar denúncia do MPPE/Foto: Divulgação/PCPE

Delegado Luiz Alberto Braga tornou-se réu após Justiça acatar denúncia do MPPE (Foto: Divulgação/PCPE)

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) pediu para que o delegado que atirou na perna de um ambulante em Fernando de Noronha vá a júri popular. Luiz Alberto Braga de Queiroz, de 38 anos, responde por tentativa de homicídio duplamente qualificado por ter atirado contra o jovem Emmanuel Apory, de 26, em maio de 2025, durante uma festa.

Emmanuel trabalhava como ambulante na ilha e teve parte da perna amputada por conta da lesão decorrente do tiro.

O Diario de Pernambuco teve acesso às alegações finais do MPPE. No documento, o Promotor de Justiça Fernando Cavalcanti Mattos, chamou o crime de “ato doentiamente premeditado e bem planejado”.

O documento detalha que o delegado Luiz Alberto Braga de Queiroz planejou a abordagem como uma "armadilha", aproveitando-se de uma festa em Fernando de Noronha para confrontar a vítima, Emmanuel Apory.

O crime teria sido motivado após o acusado saber que a esposa trocou contato com Emmanuel. O promotor alega no documento que o delegado foi “arrebatado pelo ciúme doentio e, consequentemente, pelo receio de perda que só é comum àquelas pessoas fracas de mente, sem autoestima e sem amor-próprio”.

“Emmanuel teve a oportunidade de dialogar com a nutricionista (namorada do réu) Thamires Silva, revelando interesse na sua atividade profissional e, por oportuno, oferecendo também os seus serviços quando esta fosse à praia da Cacimba. Por conta, única e exclusivamente, do interesse profissional, trocaram seus contatos por whatsapp... E só! Todas as testemunhas ouvidas em sede de instrução confirmaram exatamente isso”, escreveu o promotor.

Além disso, ele caracterizou a atitude de Luiz Alberto Braga de atirar contra Emmanuel e fugir sem prestar socorro como uma “covardia sem precedentes”.

O que dizem os advogados de Emmanuel

Em nota enviada ao Diario, os advogados de Emmanuel Apory, Anderson Flexa Leite e Jethro Ferreira, afirmaram que irão requerer que o acusado seja levado ao Tribunal do Júri, além de reparação pelos danos materiais, morais e estéticos causados à vítima, e que, em caso de condenação, seja decretada a perda do cargo público, por absoluta incompatibilidade entre sua função e a gravidade da conduta praticada.

“Emmanuel saiu de um banheiro em uma noite comum e nunca mais voltou a ser o mesmo. Um disparo mudou sua vida para sempre. A consequência foi devastadora: a amputação de sua perna, a dor permanente e a reconstrução forçada de toda a sua existência", diz trecho do texto.

Os advogados divulgaram ainda que seguem com “esperança de que o Judiciário reconheça a gravidade dos fatos, e que Emmanuel encontre na Justiça a resposta que seu sofrimento exige”.

O que diz a defesa do delegado

O Diario de Pernambuco procurou a defesa do delegado Luiz Alberto Braga. Até a última atualização desta matéria, nenhuma resposta foi obtida. O espaço segue aberto.

Relembre

Na madrugada de 5 de maio de 2025, o delegado da Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), Luiz Alberto Braga de Queiroz, de 38 anos, atirou contra o ambulante durante uma festa no Forte Nossa Senhora dos Remédios, em Fernando de Noronha.

À época, a alegação da defesa do delegado foi de que ele teria se incomodado com o assédio de Emmanuel contra a namorada, um dia antes do crime. Emmanuel nega que tenha cometido o assédio.

Imagens de câmeras de segurança mostraram o momento em que o delegado confronta Emmanuel e logo depois atira contra a perna dele. O delegado fugiu sem prestar socorro. O jovem teve ferimentos graves e precisou amputar parte da perna direita.

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