Instituto Fênix: das cinzas ao acolhimento e qualificação para quem busca uma segunda chance na sociedade
Segundo o presidente e fundador, o instituto já ajudou mais de 2.600 pessoas, entre indivíduos com passagem em presídios, familiares e jovens em situação de vulnerabilidade social
Publicado: 15/04/2026 às 07:17
Instituo Fênix (Divulgação)
A busca por uma segunda chance na sociedade para pessoas com passagens pelo sistema prisional é permeada por preconceitos e desconfianças no momento em que se procura um emprego.
Foi pensando nessa dificuldade que surgiu o Instituto Fênix. Ele promove ações e atividades de transformação social voltadas para egressos de presídios e famílias que têm parentes cumprindo penas no Recife.
Segundo o presidente e fundador do Instituto Fênix, Cícero Alves, a ideia de criar a instituição partiu de uma experiência própria, já que ele passou nove anos preso, em Alagoas, e “ressurgiu das cinzas” através da educação dentro do presídio.
“O Instituto Fênix nasceu de uma vivência minha. Sou egresso do sistema prisional”, explicou Cícero.
“Estive preso em Alagoas por mais de nove anos por um crime que não cometi. E durante esse período, eu não pensava no por que eu estava lá, eu sempre tinha na minha mente que teria que sair e recomeçar a minha vida”, completou.
“Quando saí do sistema carcerário, me mudei para Pernambuco e comecei a atuar com formação profissional de egressos em outra instituição. Quando foi em 2022, senti o desejo de abrir o Instituto Fênix”, contou.
“Mas não era para atuar somente com egressos, também queria ampliar as ações para pessoas privadas de liberdade, entre elas, aquelas que estão em unidades socioeducativas”, destacou Cícero Alves.
Ele é conhecido com primeiro detento brasileiro a concluir um curso superior (Administração) enquanto cumpria pena em regime fechado.
Essa ideia de aumentar o quantitativo de pessoas atendidas fez com que, em 2023, o projeto passasse a receber familiares dos detentos nas atividades.
Atualmente, o projeto atende também pessoas em situação de vulnerabilidade social, com a ideia de impedir que esses indivíduos entrem na criminalidade.
Segundo Cícero Alves, durante esses quatro anos de instituição, mais de 2.600 pessoas tiveram a oportunidade de participar das atividades promovidas, que envolvem qualificação profissional, encaminhamento para empregos e acompanhamento social.
“A nossa ideia é proporcionar oportunidades para que essas pessoas sejam reinseridas na sociedade através de qualificação e empregabilidade. Queremos mostrar para eles que, mesmo que tenham cometido um crime ou não, eles não serão considerados criminosos para sempre. Pelo contrário, eles podem crescer, evoluir e ser o que eles quiserem, contanto que saiam do mundo da criminalidade”, enfatizou.
Dificuldades financeiras
Segundo Cícero Alves, a operação do Instituto está toda comprometida por conta da falta de ajuda financeira, por conta das poucas doações.
“Estamos sobrevivendo com poucas doações. Na realidade, o nosso Instituto está com toda a nossa operação comprometida. Nós precisamos muito da ajuda da sociedade, de empresários e do governo que, infelizmente, até hoje, nunca nos ajudou em relação ao encaminhamento de recursos financeiros para que a gente possa manter as nossas atividades. Muita gente aplaude nosso lindo projeto, mas, na hora de mandar recurso, ele não chega”, reclamou.
Apesar da limitação de recursos para desenvolver ainda mais ações pelo Instituto, Cícero se diz realizado por poder fazer a diferença na vida de várias pessoas.
“São coisas que não tem dinheiro no mundo que pague. Só esse ano, a gente colocou 86 pessoas no ensino superior em bolsas de 100% na Faculdade Senac, além das pessoas que a gente está encaminhando ao mercado de trabalho”, lembrou.
“Conseguimos mostrar para a sociedade que todas essas pessoas só precisam de uma oportunidade para poder recomeçar as suas vidas”, finalizou.