Com os pertences sob escombros, moradores vivem incerteza sobre o futuro na comunidade do Pilar, no Recife
Reportagem do Diario de Pernambuco conversou com moradores do Pilar durante vistoria da Defesa Civil: "Mandaram tirar as coisas, mas não disseram onde a gente vai colocar", diz moradora
Publicado: 08/04/2026 às 11:35
Dona Jaqueline Campos, moradora do Pilar, no Recife (CADU SILVA/DP)
Moradores da comunidade do Pilar, no Centro do Recife, enfrentam dificuldades para retirar pertences e tentam definir os próximos passos após o desabamento de um casarão que deixou mortos, feridos e famílias desabrigadas.
Sem prazos claros e com acesso limitado às áreas atingidas, muitos ainda aguardam autorização para recuperar objetos pessoais e documentos que ficaram sob os escombros.
Ana Paula Alves Andrade, de 51 anos, teve a casa completamente destruída e agora tenta resgatar ao menos o básico.
“Só quero ver se consigo tirar meus documentos. Está tudo debaixo dos tijolos. Não sobrou nada da casa”, relatou.
Ela conta que perdeu não apenas a moradia, mas também o sustento.
“Era minha casa e meu trabalho. Eu trabalhava com reciclagem e conserto de bicicleta ali mesmo. Agora eu não tenho nem onde morar, nem como trabalhar”, disse.
Retirada e medo de perdas
A dona de casa Jaqueline Campos Aires, de 59 anos, afirma que a orientação foi retirar os pertences “o mais rápido possível”.
“Mandaram tirar as coisas, mas não disseram onde a gente vai colocar. Fica tudo exposto, com risco de ser roubado”, afirmou.
Ela está ajudando os dois filhos e um neto a retirar objetos das casas.
“Eu que estou resolvendo tudo. Eles estão trabalhando, e a gente vai se ajeitando como pode”, disse.
Mesmo diante das dificuldades, a expectativa ainda é de algum tipo de assistência.
“Disseram que ninguém vai ficar desamparado, que vão dar indenização ou auxílio moradia. A gente está esperando isso se confirmar”, completou.
Comércios atingidos e tentativa de recomeço
Além das residências, trabalhadores da comunidade também tentam salvar o que restou. A comerciante Raiele Nayara da Silva Santos, de 30 anos, busca retirar materiais do galpão onde trabalhava.
“Estou tentando ver se consigo tirar hoje, mas ainda não deram prazo. Disseram que estão esperando por causa da chuva”, contou.
Sem acesso ao local, ela não sabe o que poderá ser recuperado.
“Eu não sei nem como recomeçar. Minha renda vinha daqui. Agora ficou tudo incerto”, disse.
Futuro indefinido e soluções improvisadas
Enquanto aguardam definições, moradores tentam seguir como podem, entre abrigos improvisados, casas de parentes ou a busca por aluguel.
A jovem Bianca Gabriela, de 26 anos, afirma que a situação expõe a vulnerabilidade de parte da comunidade.
“A gente está esperando uma resposta. Tem gente que consegue alugar outra casa, mas tem muita gente que não consegue e vai ficar em abrigo”, disse.
Ela também critica a falta de informações mais concretas.
“Disseram que iam liberar algumas coisas, mas até agora ninguém explicou direito o que vai acontecer com a gente”, afirmou.
“Cada um tentando sobreviver”
Sem garantias oficiais até o momento, o sentimento entre os moradores é de incerteza.
“Cada um está tentando sobreviver do jeito que pode. A gente foi tirado da nossa vida de uma hora para outra”, resumiu Bianca.