Após dia de chuva forte, lixo se acumula no Canal do Arruda, na zona norte do Recife
Em 2026, segundo a Emlurb, mais de 21 mil toneladas de lixo já foram recolhidas em 40 canais do Recife; a reportagem do Diario de Pernambuco percorreu quatro deles no dia seguinte à chuva forte na Região Metropolitana
Publicado: 02/04/2026 às 13:42
Rede de contenção do lixo no Canal do Arruda (BARTÔ LEONEL/DP)
Um dia após as fortes chuvas que atingiram a Região Metropolitana do Recife (RMR), a reportagem do Diario de Pernambuco percorreu, nesta quinta-feira (2), quatro canais que cortam a Zona Norte a capital do estado:
O canais do Arruda, do Parnamirim, de Água Fria e Nova Descoberta.
A região que apresentou o maior acumulado de lixo foi no canal do Arruda, na altura da divisa entre os bairros de Campo Grande e Campina do Barreto, onde os resíduos estavam presos a uma rede de contenção.
Segundo os moradores que residem próximos aos canais, a pouca presença de resíduos descartados de forma irregular está associada à limpeza feita nesses locais e o aumento da correnteza durante a chuva, que carrega os resíduos de lixo para o mar.
“Quando a maré está secando, chega a acumular entulho aqui, no canal, por conta dessa rede que foi instalada pela Prefeitura, que serve como um ponto de retirada de lixo. Em época de chuva, o lixo não chega a acumular, porque a correnteza desse canal é bastante grande e o lixo vai para outro lugar”, explicou o comerciante Jairo da Silva, 41 anos, que tem o seu estabelecimento às margens do Canal do Arruda.
Ainda segundo ele, a maioria do lixo que acumula próximo ao seu comércio é decorrente de descarte incorreto feito durante todo o trajeto do canal.
De acordo com dados da Autarquia de Manutenção e Limpeza Urbana do Recife (Emlurb), foram retiradas 21.272,77 toneladas de lixo descartados de forma incorreta e resíduos de 40 canais da capital pernambucana.
Além do problema com a obstrução da passagem da água da chuva, esses resíduos aumentam a questão da proliferação de insetos e roedores.
“Todo esse lixo descartado nos canais faz com que se crie muita muriçoca. Aqui, tem bastante muriçoca à noite, sem contar com a questão das baratas e dos gabirus. E tudo isso acaba complicando a vida de quem vive próximo aos canais”, destacou Jairo da Silva.
De acordo com o presidente da Emlurb, Daniel Saboya, o valor investido todos os anos na limpeza de canais, por causa do descarte irregular, daria para investir em outros serviços e obras.
“Para que o serviço da Emlurb tenha resultado, a gente precisa da colaboração das pessoas, fazendo o descarte de maneira correta, nos dias e horários da coleta. Só o que a gente investe em limpeza de canais todos os anos, por causa do descarte irregular, daria para investir em outros serviços e obras, como construção de Upinhas, novas escadarias ou iluminação pública. Então, é essencial que a população cumpra a sua parte e também abrace essa causa da limpeza urbana, mantendo a cidade limpa", enfatizou.
Conforme informou a Autarquia, todos os anos a gestão municipal realiza a limpeza dos 99 canais que cortam a cidade, com um investimento médio de mais de R$ 8 milhões.
A Emlurb conta com 16 Ecoestações para recebimento de entulhos e recicláveis, e mais de 140 PEVs espalhadas por toda cidade.