Mulher assassinada em condomínio de luxo em Gravatá foi alvo de operação da PF e condenada na Bahia
Morta com vários tiros por um encapuzado em condomínio em Gravatá, Gabriela Raizila Lima de Souza, de 33 anos, aparece como um dos alvos da Operação Kariri, deflagrada em parceria com o Ministério Público da Bahia, em 2024, e condenada por vários crimes, em 2025
Publicado: 31/03/2026 às 14:15
Assassino invade casa em condomínio de Gravatá e executa mulher (REPRODUÇÃO/VÍDEO)
A mulher assassinada em um condomínio de luxo, em Gravatá, no Agreste pernambucano, na noite de segunda (30), foi alvo de uma operação deflagrada em 2024 pela Polícia Federal (PF), em Feira de Santana, na Bahia, e condenada pela Justiça daquele estado, em 2025.
Morta com vários tiros por um encapuzado, Gabriela Raizila Lima de Souza, de 33 anos, aparece como um dos alvos da Operação Kariri, deflagrada em parceria com o Ministério Público da Bahia, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Texto publicado pelo Ministério Público da Bahia, em 21 de fevereiro de 2024, foram cumpridos sete mandados de prisão e 20 mandados de busca e apreensão contra envolvidos com tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Também foi determinado pela Justiça o bloqueio de contas bancárias e imóveis, que totalizam cerca de R$ 50 milhões, incluindo seis imóveis de alto padrão e cinco fazendas, localizados nos estados da Bahia e Pernambuco.
A “Operação Kariri” contou com a participação de aproximadamente 100 policiais que cumpriram as ordens judiciais nas cidades de Salvador, Feira de Santana, América Dourada, Morpará, Ibititá e Muquém do São Francisco, na Bahia; além das cidades de Brasília, São Paulo e Ibimirim, no estado de Pernambuco.
Segundo o Ministério Público da Bahia, as investigações tiveram início em 2019. Desde então, um total de três flagrantes foram realizados, nos quais foi apreendida mais de uma tonelada de drogas e roças de maconha foram erradicadas.
“Isso possibilitou identificar o responsável pela organização criminosa e toda a cadeia de lavagem de capitais”, informou.
Família
A operação identificou também que uma família se deslocou do estado de Pernambuco para o Município baiano de Feira de Santana.
Nos jornais das Bahia, os envolvidos são chamados de “A Família do Bagulho”.
Ainda segundo o MPBA, o lucro com o crime era usado para a compra de bens imóveis de alto poder aquisitivo, beneficiando toda a família e seus parentes próximos, que forneciam contas bancárias para tentar ocultar o rastreio do dinheiro pela Polícia Federal.
No total foram identificadas cinco fazendas pertencentes ao principal alvo da investigação, que constam em nome de terceiros.
Denúncia
Em 1º de abril de 2025, seis pessoas denunciadas pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) na ‘Operação Kariri’ foram condenadas pela Justiça.
Eles pegaram penas por organização criminosa para o tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
“Os condenados integravam grupo familiar criminoso que atuava há décadas em Feira de Santana e região, abastecendo o mercado de droga ilícitas local e lavando os lucros do crime com compra de imóveis, entre apartamentos de luxo e fazendas. Ainda cabe recurso e, por determinação da Justiça, os condenados poderão recorrer em liberdade”, informou o BPBA.
A sentença foi proferida pela 3ª Vara Criminal da Comarca de Feira de Santana, que também determinou o confisco definitivo de bens, entre 11 imóveis, 15 veículos e mais de 500 cabeças de gado, que ainda serão periciados, podendo chegar ao valor de R$ 50 milhões.
Condenados
As penas foram estabelecidas de cinco a 16 anos de prisão.
A organização criminosa era liderada por Rener Umbuzeiro, já falecido. Sua esposa, Niedja Maria de Lima Souza Umbuzeiro e sua filha Larissa Gabriela Lima Umbuzeiro foram condenadas com a maior pena, sentenciadas a 16 anos e seis meses de prisão.
Elas foram apontadas nas investigações como chefes do núcleo financeiro e responsáveis pela gestão e fluxo dos ativos ilícitos, organizando a ocultação e dissimulação patrimonial, sendo que Larissa coordenava todo o processo de lavagem de dinheiro.
Além delas, foram condenadas Clênia Maria Lima Bernardes (irmã de Niedja), Paulo Victor Bezerra Lima (esposo de Larissa), Gabriela Raizila Lima de Souza (sobrinha de Niedja) e Robélia Rezende de Souza.
Conforme a denúncia do MPBA, a organização usava laranjas para registrar bens e movimentar dinheiro sem serem identificados.
As investigações provaram, a partir de diversos flagrantes de apreensão de maconha e evidências de plantio, que os denunciados estavam envolvidos com a lavagem de dinheiro proveniente das atividades de tráfico.
A sentença detalha o envolvimento de cada um dos réus nos crimes de lavagem de capitais, com base em informações policiais, relatórios de inteligência financeira (COAF/UIF), interceptações telefônicas e telemáticas, documentos de transações imobiliárias e bancárias, e depoimentos testemunhais e dos acusados.
Crime em Gravatá
Vídeos postados em redes sociais mostram detalhes do assassinato ocorrido no Condomínio Raízes da Serra, na Rua Rigoberto Campos.
O caso é tratado, a princípio, como homicídio consumado.
O vídeo mostra a mulher correndo dentro do apartamento e sendo perseguida por um homem encapuzado e com roupas pretas.
Ela cai algumas vezes, ao tentar escapar, mas é alcançada e atingida por vários tiros. O cão dela também foi baleado e morreu.
Por meio de nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que registrou, nesta terça-feira (31), por meio da Delegacia de Vitória de Santo Antão, um homicídio consumado no município de Gravatá.
As investigações foram iniciadas e seguirão até a elucidação do caso, sob a responsabilidade da Delegacia de Gravatá.