Policiais civis protestam durante entrega de delegacia: "A segurança pública não é apenas um prédio bonitinho"
O protesto dos policiais civis aconteceu nesta terça (31), durante evento de entrega da requalificação da Delegacia da Mulher de Santo Amaro, que contou com a presença da governadora Raquel Lyra
Publicado: 31/03/2026 às 12:55
Policiais civil realizaram protesto na entrega da requalificação da Delegacia da Mulher de Santo Amaro (KAROL RODRIGUES/DP)
O Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (Simpol) realizou um protesto durante entrega de requalificação da Delegacia da Mulher, na manhã desta terça-feira (31), no bairro de Santo Amaro, área central do Recife.
De acordo com o diretor do sindicato, Tiago Batista, a mobilização tem como objetivo chamar a atenção para a necessidade de reforço no efetivo, valorização da categoria e melhorias estruturais na segurança pública.
“O Simpol vem aqui tentar um diálogo com a governadora, que desde que assumiu o governo do estado não dialoga com nenhuma categoria. A segurança pública hoje é a grande preocupação do povo pernambucano e brasileiro”, afirmou.
Tiago destacou a preocupação com o aumento dos índices de violência, especialmente os casos de feminicídio e violência doméstica.
Segundo ele, apesar das campanhas institucionais do governo, a realidade enfrentada pela população e pelos policiais nas delegacias ainda é preocupante.
“Hoje temos 15 delegacias da Mulher. Dessas, sete funcionam 24 horas e oito fecham à noite, nos fins de semana e feriados, justamente quando há grande procura por parte das mulheres para registrar ocorrências”, disse.
De acordo com o dirigente sindical, o Simpol defende uma reestruturação das delegacias, a convocação de aprovados em concurso público e a valorização da carreira policial civil.
“O que a gente está procurando junto à governadora é uma reestruturação nas delegacias, um novo concurso público, aproveitando aqueles que já passaram em todas as etapas, e também uma reestruturação na carreira”, pontuou.
Categoria cobra promessas feitas desde 2022
O diretor do sindicato relembrou que a governadora prometeu, ainda durante a campanha de 2022, medidas de valorização para a Polícia Civil, mas afirma que a categoria ainda aguarda avanços concretos.
“A governadora prometeu em 2022 valorizar os policiais civis. Até agora, nenhuma nova delegacia foi entregue, apenas reformas nas que já existiam. Estamos buscando diálogo”, declarou.
Tiago também citou episódios anteriores em que a categoria tentou abrir negociação com o Executivo estadual.
“Passamos mais de 12 horas esperando a governadora nos receber, como ela tinha prometido publicamente, e não houve nenhuma satisfação. Fomos obrigados a acampar no Palácio e posteriormente ficamos na ponte para chamar a atenção da sociedade e do governo do Estado”, relembrou.
Ato pacífico
Segundo Tiago Batista, a manifestação realizada nesta terça tem caráter pacífico e pretende ampliar o debate sobre segurança pública para além das obras físicas.
“A segurança pública não é apenas um prédio bonitinho. Precisa de efetivo, precisa desse efetivo valorizado, e os policiais e servidores não estão se sentindo valorizados”, afirmou.
Além da questão estrutural, o Simpol também cobra o cumprimento de uma decisão judicial relacionada à jornada de trabalho da Polícia Civil.
“Os policiais civis ganharam uma ação referente ao aumento da jornada de trabalho em 2010. Houve elevação da jornada, mas não houve aumento salarial na mesma proporção. Estamos buscando que a governadora cumpra essa decisão judicial”, explicou.
O sindicato informou que busca uma mesa de negociação com a Casa Civil e a Secretaria de Administração, para discutir a pauta salarial e a valorização da categoria.