Choro, saudade e poesia marcam ato religioso que homenageou jovem morta pelo ex no Le Parc, no Recife
Professores e colegas de turma de Isabel Cristina Oliveira dos Santos, vítima de feminicídio em um dos apartamentos do Condomínio do Le Parc, na Zona Sul do Recife, realizaram ato religioso em homenagem a jovem, que cursava Medicina na Unicap
Publicado: 25/03/2026 às 12:34
Ato religioso na Unicap marcou homenagen a jovem assassinada pelo ex no le Parc, no Recife (Karol Rodrigues/DP)
Choro, saudade, poesia e momentos de silêncio marcaram o ato religioso que homenageou Isabel Cristina Oliveira dos Santos, de 22 anos, realizado nesta quarta-feira (25), na capela da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), instituição onde ela cursava o 4º período de Medicina.
A jovem foi morta pelo o ex-companheiro, o empresário Sílvio Silva, conhecido também como o cantor Dom Silver, de 48 anos, em um dos apartamentos do condomínio Le Parc, em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, no domingo (22). Ele se matou em seguida. O casal deixou uma filha de 3 anos.
O ato religioso, organizado pelos próprios professores e colegas de turma de Isabel Cristina, foi uma forma de relembrar com carinho da colega de turma e fazer orações para ela.
Reitor da Unicap, o padre Carlos Fritzen afirmou que o ato foi uma forma de reforçar a luta contra o feminicídio no estado. ‘Temos que dar um basta e zerar os casos de feminicídio. Temos que acabar com o com esse tipo de violência”, declarou.
Segundo o reitor, Isabel era uma pessoa muito querida na instituição de ensino. Para ele, é preciso realizar ações mais contundentes e efetivas em relação ao processo de violência contra as mulheres.
Apesar de ter sido organizado por colegas de turma de Isabel, todas se reservaram ao silêncio, diante da dor vivenciada por eles. Porém, três colegas de Isabel produziram um poema em homenagem a Isabel, que foi lido em voz alta pelas mulheres presentes na homenagem religiosa.
“Desde que você se foi, o mundo perdeu suas cores/ Isa, menina do coração mais doce que o mel./ Para sempre será lembrada por ser amor e carinho/ No cinema das nossas memórias, és um raio de sol /Isa é coragem, força e amor, com um sorriso no rosto / Que a dor da partida renasça em força, luta e memórias da nossa Isa / Sua passagem na Terra, abrilhantou nossas vidas. / E no final do dia, a menina das torres sorria / Mesmo em ruínas, ela ainda florescia”, diz poema em homenagem a Isabel.
Ato no Banco Vermelho
Após o ato religioso, professores, alunos e funcionários da Unicap realizaram um Ato de repúdio contra o Feminicídio em frente ao Banco Vermelho instalado na Unicap, que homenageia Izaelma Cavalcante Tavares, outra aluna da instituição vítima de feminicídio.
Tiago Feitosa, coordenador geral da Escola de Saúde e Ciências da Vida da Unicap, falou sobre a conduta de Isabel durante o curso.
“Ela era brilhante. Ela seria exemplar como médica no futuro. Perdemos uma aluna e a universidade perdeu uma profissional que honraria o diploma, prestando serviço à sociedade”.
A Menina das Torres
Toda a dedicação aos estudos também foram características lembradas pela professora Fátima Souza, coordenadora do curso de Medicina da Unicap, que explicou o significado do apelido “Menina da Torres” presente no poema.
“Quando Isabel tinha aulas de hebiatria e saúde do adolescente na Paróquia da Torre, ela falava para as colegas ‘vamos para as torres, eu já estou a caminho das torres’. Então, isso criou uma brincadeira entre elas de que ali eram as torres e não era uma torre só. Provavelmente, essa segunda torre já era uma referência à própria Isa, que era muito alegre”, explicou.
Segundo Fátima Souza, o caminho que Isabel Cristina estava traçando na área de Medicina iria fazer com que ela se tornasse uma excelente profissional.
“Isa era uma aluna muito aplicada e que desejava muito se tornar médica para poder cuidar de pessoas. Ela demonstrava esse cuidado na forma de entrar nos ambulatórios, na forma como ela aprendia a cuidar. Eu acredito que ela teria sido uma excelente profissional”, destacou a professora.
Relembre o caso
Isabel foi morta no domingo (22), dentro do apartamento onde vivia, no condomínio Le Parc. O autor do crime foi o ex-companheiro, Silvio Souza Silva, de 48 anos, que, segundo a polícia, atirou contra a jovem e, em seguida, cometeu suicídio.
Os corpos foram encontrados pela irmã e pela cunhada da vítima, que estavam passeando com a filha do casal, de 3 anos, no momento do ocorrido. No local, a polícia apreendeu um revólver calibre 38 com duas munições deflagradas, além de três celulares.
O enterro de Isabel Cristina aconteceu na tarde desta segunda-feira (23), no Cemitério Parque das Flores, no bairro de Tejipió, Zona Oeste do Recife.