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VACINAÇÃO

Campanha leva 20 tipos de vacina para estudantes das redes municipais e estadual; saiba como

Estado anuncia nova etapa da estratégia para 2026. Dados oficiais mostram recuperação parcial dos índices após quedas registradas a partir de 2019

Adelmo Lucena e Bartô Leonel

Publicado: 03/03/2026 às 16:27

Municípios iniciam vacinação em escolas /Foto: SES-PE

Municípios iniciam vacinação em escolas (Foto: SES-PE)

A Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES-PE) informou que a Estratégia de Vacinação nas Escolas será retomada ainda este mês e seguirá até dezembro, com previsão de ações em escolas e creches de todos os municípios do estado. A iniciativa é coordenada pelo Programa Nacional de Imunizações em Pernambuco (PNI-PE), em articulação com o Programa Saúde na Escola (PSE).

Segundo a pasta, em 2025 todos os municípios pernambucanos realizaram ações de vacinação em ambiente escolar. Entre março e dezembro do ano passado, foram alcançadas 3.940 creches e escolas, com mais de 15 mil ações e aplicação de 84.632 doses de vacinas.

A estratégia prevê a oferta de imunizantes do Calendário Nacional de Vacinação, incluindo a vacina contra o HPV, além de doses contra hepatite A e B, difteria, tétano, coqueluche, poliomielite, rotavírus, doenças pneumocócicas e meningocócicas, sarampo, caxumba, rubéola, varicela, febre amarela, influenza e Covid-19, conforme faixa etária, situação vacinal e disponibilidade.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum e está associado a cerca de 99% dos casos de câncer do colo do útero, além de outros tipos de câncer, como anal, de pênis e de orofaringe. A vacinação é indicada antes do início da vida sexual, o que tem levado gestores a priorizarem o ambiente escolar como ponto de acesso.

Em declaração divulgada pela SES-PE, a superintendente de Imunizações, Magda Costa, afirmou que desde 2023 o estado vem estimulando os municípios a desenvolver ações de vacinação em creches e escolas públicas e privadas, com foco especial nas unidades estaduais, onde se concentra grande parte dos estudantes do ensino médio, público-alvo da vacina contra o HPV.

Segundo a pasta, fica a cargo dos municípios convocarem os pais e responsáveis para que levem os alunos nos dias marcados da vacinação.

Queda e recuperação das coberturas

Dados da própria Secretaria de Saúde, extraídos da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) na segunda-feira (2), mostram que as coberturas vacinais em Pernambuco oscilaram nos últimos anos, com queda mais acentuada a partir de 2019 e durante o período da pandemia de Covid-19.

Entre crianças menores de 1 ano, a BCG, que havia alcançado 110,1% em 2015, caiu para 79,3% em 2020 e 82,6% em 2021. Houve recuperação em 2022 (99,1%) e 2024 (103,8%), mas o dado parcial de 2026 aponta 54,4% até 1º de março. A vacina contra hepatite B aplicada nas primeiras 24 horas de vida também apresenta variação: após atingir 108,4% em 2025, o índice parcial de 2026 está em 56,9%.

Imunizantes como pentavalente, pneumocócica, meningocócica C e poliomielite também registraram redução entre 2019 e 2021, com recuperação gradual nos anos seguintes. Em 2026, os percentuais ainda são parciais e, em geral, permanecem abaixo das metas de 95% preconizadas pelo Ministério da Saúde para a maioria das vacinas infantis.

No grupo de crianças com 1 ano ou mais, o comportamento é semelhante. A tríplice viral (D1), que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, chegou a 101% em 2019, caiu para 72% em 2021 e alcançou 95,3% em 2026 (dado parcial). Já a segunda dose (D2) apresenta cobertura historicamente inferior, com 44,9% em 2021, 72,5% em 2025 e 86,2% em 2026.

A vacina contra varicela, incorporada mais recentemente ao calendário, registrou 30,9% em 2024, 63,7% em 2025 e 95,5% em 2026 (parcial). A febre amarela, implantada gradualmente no estado a partir de 2020, saiu de 27,8% naquele ano para 78,3% em 2026.

Ambiente escolar como estratégia

A vacinação em escolas é uma das estratégias adotadas para tentar recuperar os índices, especialmente entre crianças e adolescentes que não completaram o esquema vacinal. A lógica é aproveitar a concentração de estudantes em um mesmo local para facilitar o acesso, mediante autorização dos responsáveis.

Apesar do avanço na realização de ações em todos os municípios em 2025, os dados de cobertura indicam que a regularidade e a adesão às campanhas continuam sendo desafios. A consolidação dos percentuais de 2026 dependerá do ritmo de aplicação das doses ao longo do ano, já que os números atuais consideram apenas as doses registradas até 1º de março.

A SES-PE informou que a estratégia seguirá as diretrizes do Ministério da Saúde e será adaptada às realidades locais, com articulação entre equipes de saúde e educação.

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