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Carnaval 2026: Galo Gigante atinge 80% de conclusão; alegoria tem 8 toneladas e 32 metros de altura

As peças do Galo Gigante começaram a ser apresentadas ao público nesta quinta-feira (5). Elas vão para a Ponte Duarte Coelho, no centro, no sábado (7)

Adelmo Lucena

Publicado: 05/02/2026 às 17:00

peças do Galo Gigamte foram apresnetadas nesta quinta (5) /Crys Viana/DP

peças do Galo Gigamte foram apresnetadas nesta quinta (5) (Crys Viana/DP)

As peças que compõem o Galo Gigante do carnaval do Recife já alcançaram cerca de 80% de conclusão e começaram a ser apresentadas ao público nesta quinta-feira (5).

A estrutura, que será instalada na Ponte Duarte Coelho, no Centro da capital pernambucana, reúne técnicas artesanais, materiais reutilizados e ações de caráter social e educativo, segundo a Prefeitura do Recife. .

Segundo o multiartista Leopoldo Nóbrega, responsável por parte do desenvolvimento das peças, o trabalho segue em ritmo intenso.

“As madrugadas são velozes e a gente aqui não dorme em serviço, literalmente. Esse Galo traz um verdadeiro manancial de experimentações criativas com materiais descartados, técnicas e tecnologias de inovação. A gente vai desde a robótica a serviço da arte até a própria artesania, do fazer manual”, ressalta.

Ao todo, o Galo pesa oito toneladas e tem 32 metros de altura. Entre os elementos já adiantados está a perna do Galo, que recebe aplicação de mosaicos produzidos a partir de lonas e tecidos descartados. A técnica de upcycling é utilizada para transformar resíduos em arte, com uma paleta de cores definida e múltiplas identidades visuais. O processo contou com a colaboração de diferentes parceiros e artesãos.

Outro destaque são as chamadas biojoias, desenvolvidas com a participação de mestras artesãs e integrantes da comunidade, em um trabalho coletivo que envolve reaproveitamento de materiais, como conchas do mar e rede de pesca, e técnicas manuais. Segundo Leopold Nóbrega, as peças dialogam com a temática ambiental e com a relação entre o homem, o mar e os resíduos gerados no cotidiano urbano.

As redes de pesca descartadas incorporadas à indumentária do Galo funcionando como uma segunda camada estética. O material recebeu aplicação de conchas, coladas com técnica específica, sem perfuração, formando conjuntos que criam volume e textura. A proposta é demonstrar novas possibilidades de uso para materiais que normalmente seriam descartados.

A escultura ainda reúne elementos tecnológicos. Tampinhas, vidros reaproveitados e outros resíduos foram usados para criar efeitos ópticos e texturas, como a chama do coração do Galo. Um dos principais pontos da alegoria são as estrelas tecnológicas produzidas em impressão 3D, resultado de uma parceria com o Instituto Shopping Recife. O projeto envolveu crianças e jovens da comunidade, que utilizam robótica e programação no dia a dia. As estrelas, feitas com material biodegradável, também passam a integrar as biojoias da escultura.

O coração do Galo é confeccionado com papelão, papéis figurados e técnicas como colagem e papel machê. Além disso,  a Coral  desenvolveu uma cor exclusivamente pensada no Galo, o Rosa Multicultural.

Com o tema “Galo Folião Fraterno”, a alegoria de 2026 presta tributo a Dom Helder, reconhecido como uma das vozes de resistência à ditadura militar. O Galo terá mais de 30 metros de altura e será erguido no dia 11 de fevereiro, na Ponte Duarte Coelho, que liga os bairros da Boa Vista e de Santo Antônio.

Além das biojoias nos pés, confeccionadas em parceria com o Instituto Negralinda, da Ilha de Deus, a escultura contará com pulseiras artesanais reutilizáveis e sombrinhas na cauda. A paleta de cores predominante será verde, azul e amarelo, em referência à expectativa em torno da seleção brasileira e da Copa do Mundo.

A montagem das peças na ponte começa no sábado, às 18h, e segue durante a madrugada. Todo o projeto utiliza materiais descartados e envolve ações com pessoas em situação de rua, comunidades locais e artesãos.

“É uma obra inclusiva, que trabalha metodologias de participação, cocriação e inovação criativa. Fala de sustentabilidade, mas também da importância do cuidado com a saúde mental. Esse é um aspecto muito forte do projeto, que é entender a arte e a arteterapia como ferramentas de acesso, autoconhecimento e autocontrole. Por isso, realizamos oficinas de mosaico com descartes de plástico, envolvendo pessoas em situação de rua ou em vulnerabilidade social, a partir dos centros de apoio da Prefeitura”, pontua Leopoldo Nóbrega.

Para os artista envolvidos na confecção do Galo, o trabalho com materiais recicláveis é encarado como uma responsabilidade ambiental. "A gente trabalha com muita cola, espuma, fazendo todo o revestimento do corpo pra deixar o Galo Gigante mais volumoso. Também usamos muitos materiais reciclados, como garrafas, lona, tampinhas. Trabalhamos dia e noite sem parar", destaca o artista  Luan Brito, de 32 anos.

A artista plástica Vera Cabral encara a oportunidade de confecionar o Galo Gigante como um marco para sua trajetória. "Estamos aqui nesse trabalho da biojoia do Galo, muito felizes e agradecidas. É muita emoção, muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Você vai vendo, sentindo, e a emoção vai crescendo a cada dia", afirma.

Já a designer de joias e estilista Regina Trindade diz que a montagem do Galo é um momento de aprendizado. "A gente passa por momentos de aflição, pensando em como fazer, mas chega um ponto em que todo mundo se conecta para construir algo junto. sso é muito gratificante, porque a gente aprende o tempo todo e leva esse aprendizado para o nosso trabalho."

 

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