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Há cinco anos aquecendo corações no Recife

ONG Coração Quentinho atua desde 2021 distribuindo alimentação, apoio, empatia e calor humano para pessoas em situação de vulnerabilidade social da Zona Oeste do Recife

Nicolle Gomes

Publicado: 04/02/2026 às 17:47

A ONG Coração Quentinho conta com cerca de 15 voluntários fixos/Foto: Cortesia

A ONG Coração Quentinho conta com cerca de 15 voluntários fixos (Foto: Cortesia)

Nascida de uma simples vontade de ajudar o próximo, a ONG Coração Quentinho atua há cinco anos promovendo um espaço de escuta, empatia e respeito. Na Praça de Afogados, na Zona Oeste do Recife, um grupo de voluntários se reúne, um sábado por mês, para estender uma mão amiga com um prato de comida a quem precisa.

Tudo começou com uma iniciativa entre amigos, num momento em que as dúvidas eram mais numerosas do que as certezas, e quando as pessoas estavam mais interessadas em se isolar do que se aproximar. Era 2021, ainda durante a pandemia de COVID-19, quando Gilma Mendes, 53, começou com a ideia de auxiliar pessoas em situação de rua da Zona Oeste do Recife.

"Eu não consegui ficar trancada e ver gente passando fome. Começamos com sanduíche, mas vi que não enchia barriga. Passamos para cuscuz, macarrão, arroz – comida sólida mesmo", relembra a fundadora.

Empatia como força motora

Na praça, a regra é a acolhida sem julgamentos. "A gente não chega para perguntar de onde a pessoa veio ou por que está ali sem comida. Às vezes a pessoa tem uma casa, mas não tem nem o gás para cozinhar. Ninguém nega comida a ninguém", revela Gilma.

Ela diz que a estimativa é de mais de duas mil pessoas impactadas diretamente pelo trabalho da ONG nos últimos cinco anos, com três mil marmitas distribuídas por ano. Atualmente, a organização entrega cerca de 200 marmitas e 200 porções de sobremesa, além de cestas básicas semanais em comunidades.

A fundadora compartilha que o trabalho da ONG, na verdade, é um traço da essência dela. “Sempre fui assim, desde criança, de gostar de ajudar o próximo", conta.

A ONG Coração Quentinho conta com cerca de 15 voluntários fixos, que muitas vezes, conhecem o trabalho do grupo por diversas formas – indicação de amigos, trabalhos com faculdades parceiras. Essas pessoas, assim como Gilma, encontram na solidariedade um sentido especial.

“Para mim é a gratidão por estar servindo. E às vezes a gente tá ali para servir, para passar uma palavra de amor, uma palavra de Deus para eles, e isso é muito gratificante para a gente. Às vezes a gente chega lá para dar uma palavra e a gente recebe uma. E aí a gente fica ‘meu Deus, a gente veio para dar e a gente tá ganhando na realidade’”.

Para além do alimento, a Coração Quentinho busca também promover cidadania. Os voluntários também orientam os auxiliados a respeito de assistência social e direitos. Acima de tudo, a relação humana prevalece, diz Gilma.

"A gente cria um vínculo. Eles já nos conhecem, confiam na gente. Não é só entregar o prato e ir embora; é saber quem eles são", explica.

Trabalho

O trabalho, segundo Gilma, não para, mesmo em função dos desafios. Há cinco anos, ela organiza e coordena todas as ações da ONG. Para o futuro, ela sonha em conseguir alcançar mais pessoas.

“É trabalhoso. O futuro que eu espero é ter minha gestão organizada, para poder conseguir mais recursos, para a gente poder abençoar mais pessoas”.

Ao olhar para os quase cinco anos de trajetória, ela percebe que a fome de dignidade é tão urgente quanto a de comida. O projeto construído, segundo a fundadora, é um exercício constante de humanização em uma sociedade que, muitas vezes, prefere a invisibilizar pessoas a ajudá-las.

O apelo final de Gilma é um convite à mudança de perspectiva e da cultura de segregação: "Parem para olhar o próximo com empatia e respeito”.

 

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