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Enamed: 25% dos cursos de Medicina de Pernambuco são mal avaliados; veja notas

Dos 12 cursos de superiores de Medicina pernambucanos, três tiveram notas 2, consideradas abaixo do nível satisfatório no Enamed. O Diario reuniu todas as notas

Nicolle Gomes

Publicado: 20/01/2026 às 14:53

 Enamed é a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina /Etatics Inc/Pexels

Enamed é a modalidade do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) para os cursos de medicina (Etatics Inc/Pexels)

Dos 12 cursos superiores de Medicina em Pernambuco, 25% foram mal avaliados na primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), do Ministério da Educação (MEC).

Segundo dados do próprio MEC, divulgados na segunda (19), três graduações tiveram nota 2 e ainda poderão sofrer sanções. Os outros 75% ficaram nas faixas 3 a 5 de avaliação, consideradas satisfatórias.

As três faculdades pernambucanas com nota 2 na lista do Enamed são: Faculdade de Medicina de Olinda (FMO), Centro Universitário Maurício de Nassau – Recife e Afya Faculdade de Ciências Médicas de Jaboatão dos Guararapes. Todas são localizadas no Grande Recife.

Desempenho geral

O Diario reuniu, a partir dos dados divulgados pelo MEC, quais foram as notas gerais dos cursos pernambucanos de Medicina no Enamed.

Todos os seis cursos públicos de Medicina do Estado tiveram destaque e notas entre as faixas 4 e 5, enquanto três dos quatro cursos públicos do interior (Agreste e Sertão), tiveram nota 5, valor máximo na avaliação.

Confira as notas de todos os cursos de medicina de Pernambuco:

Nota 5:
Universidade de Pernambuco (UPE) – Serra Talhada, Universidade de Pernambuco (UPE) – Garanhuns, e Universidade Federal do São Francisco (Univasf).

Nota 4:
Universidade de Pernambuco (UPE) – Recife, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – Recife, Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) – Caruaru e Faculdade Pernambucana de Saúde (FPS).

Nota 3:
Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e Faculdade de Medicina do Sertão (FMS)

Nota 2:
Faculdade de Medicina de Olinda (FMO), Centro Universitário Maurício de Nassau – Recife, e Afya Faculdade de Ciências Médicas de Jaboatão dos Guararapes.

Nenhum curso foi avaliado com nota 1, segundo as informações do MEC.

O que disseram as faculdades pernambucanas

Em nota enviada ao Diario, a Afya Faculdade de Ciências Médicas de Jaboatão dos Guararapes informou que está acompanhando a divulgação dos resultados do ENAMED, e que "aguarda esclarecimentos técnicos por parte do MEC e do Inep antes de se manifestar de forma conclusiva sobre os números apresentados".

"Análises de instituições de todo o país indicam divergência de dados, entre os que foram reportados como insumos, em dezembro passado, em relação ao número de estudantes proficientes de seus cursos, e os divulgados hoje", divulgou.

O Diario também procurou o Centro Universitário Maurício de Nassau Recife, que demostrou "preocupação com como foi conduzida a primeira edição do ENAMED".

"As condições de nota, os critérios de desempenho e os efeitos regulatórios e punitivos do exame foram divulgados após a realização da prova, sem regime de transição e sem tempo hábil para que as instituições orientassem seus estudantes", afirmou a instituição.

A Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) também em comunicado, afirma que "recebeu com naturalidade os resultados do Exame Nacional da Formação Médica-Enamed, e comunica a sua comunidade e sociedade em geral; que trata os processos avaliativos externos e institucionais como instrumentos de melhoria constante da formação de seus alunos".

Confira as notas completas abaixo:

Centro Universitário Maurício de Nassau Recife

"A UNINASSAU manifesta preocupação com a forma como foi conduzida a primeira edição do ENAMED. As condições de nota, os critérios de desempenho e os efeitos regulatórios e punitivos do exame foram divulgados após a realização da prova, sem regime de transição e sem tempo hábil para que as instituições orientassem seus estudantes.

Além disso, o ENAMED rompe com a lógica formativa adotada em avaliações nacionais anteriores, criando novas faixas para atribuição do conceito. Esse descompasso indica um viés punitivo, com potenciais impactos severos sobre cursos e estudantes, sem regulamentação pública transparente. A UNINASSAU defende a avaliação da formação médica, porém, ela precisa ser técnica, previsível e orientada à melhoria do ensino, não à penalização institucional.

O debate sobre o ENAMED é legítimo e necessário, mas precisa ser conduzido com responsabilidade, transparência e compromisso com o aprimoramento real da educação médica no país e das políticas públicas educacionais. A instituição permanece à disposição para contribuir de forma técnica e qualificada com esse debate, em defesa de um sistema avaliativo justo, formativo e institucionalmente coerente."

Faculdade de Medicina de Olinda (FMO)

"A Faculdade de Medicina de Olinda (FMO) recebeu com naturalidade os resultados do Exame Nacional da Formação Médica-Enamed, e comunica a sua comunidade e sociedade em geral; que trata os processos avaliativos externos e institucionais como instrumentos de melhoria constante da formação de seus alunos, sendo esse esforço reconhecido seja através da melhora do desempenho dos seus estudantes em exames nacionais; a qualidade da formação do seu corpo docente e aprovação dos seus egressos em programas de residência médica, os quais são importantes indicadores da qualidade do ensino superior."

Enamed

A primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) avaliou 351 cursos de medicina de todo o Brasil em outubro de 2025. Segundo os resultados, divulgados nesta segunda-feira (19), 99 cursos tiraram nota geral 1 e 2, consideradas insatisfatórias, e poderão sofrer sanções do Ministério da Educação (MEC), a partir do porcentual de proficiência dos estudantes verificados.

Entre os cursos que poderão sofrer sanções, oito terão o vestibular suspenso; outros 13 cursos terão redução de 50% das vagas; 33 terão redução de 25% das vagas. Além disso, esses cursos terão a suspensão do Fies e haverá uma avaliação em relação à continuidade de outros programas federais. Os 45 cursos restantes serão proibidos de ampliar suas vagas.

 

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