Seca extrema avança em Pernambuco e já atinge 31,5% dos municípios
Dados da Apac mostram que 58 cidades enfrentam cenário crítico, com riscos de perda de safras, mortandade de animais e escassez grave de água no Sertão e Agreste
Publicado: 19/01/2026 às 17:57
Mapa mostra situação da seca em Pernambuco (Foto: Reprodução/APAC)
Cerca de 31,5% dos municípios de Pernambuco estão em seca extrema, é o que afirma a Agência Pernambucana de Águas e Clima (APAC). Os municípios estão localizados no Sertão e no Agreste do estado.
Dos 184 municípios que formam o estado, atualmente, 58 enfrentam seca extrema. De acordo com a APAC, os possíveis impactos incluem grandes perdas de culturas/pastagens; mortandade animal; ameaça à subsistência em comunidades rurais; escassez grave de água e/ou aumento das restrições de uso.
Outros 45 municípios estão em situação de seca grave, 38 com seca moderada e 43 com seca fraca.
Conforme a agência, a persistência de chuvas abaixo da normalidade tem agravado os indicadores de seca no estado. No Sertão e no Agreste, houve avanço da seca extrema, além da intensificação da seca grave e moderada. Já a seca fraca passou a atingir também áreas da Zona da Mata e do Litoral.
"Observa-se que na Região Metropolitana do Recife, no Litoral e na Zona da Mata, houve o surgimento de uma seca de fraca intensidade. Porém, no Agreste e no Sertão, essa seca já chega a uma intensidade de seca extrema", pontua a meteorologista da Apac, Aparecida Fernandes.
De acordo com ela, "um fator que acentuou muito a situação [de seca extrema] foi o aumento das temperaturas. Tivemos os meses de novembro e dezembro muito quentes. Além da falta de precipitação, houve um aumento da evapotranspiração, que seca tanto os pequenos reservatórios quanto a vegetação", explica.
Nesta terça-feira (20), a Apac e outros representantes dos demais estados do Nordeste terão uma reunião climática para preparar um prognóstico dos próximos meses. Os resultados serão divulgados.
Confira os municípios afetados:
- Afrânio
- Dormentes
- Santa Cruz
- Petrolina
- Lagoa Grande
- Parnamirim
- Santa Maria da Boa Vista
- Orocó
- Ouricuri
- Moreilândia
- Trindade
- Santa Filomena
- Ipubi
- Araripina
- Bodocó
- Exu
- Ibimirim
- Flores
- Calumbi
- Triunfo
- Santa Cruz da Baixa Verde
- Carnaíba
- Quixaba
- Solidão
- Afogados da Ingazeira
- Ingazeira
- Tuparetama
- Carnaubeira da Penha
- Floresta
- Tabira
- Iguaraci
- São José do Egito
- Itapetim
- Brejinho
- Santa Terezinha
- Custódia
- Betânia
- Serra Talhada
- Sertânia
- Serrita
- Verdejante
- Petrolândia
- Tupanatinga
- Buique
- Arcoverde
- Pedra
- Capoeiras
- Venturosa
- Alagoinha
- Pesqueira
- Cachoeirinha
- Sanharó
- Belo Jardim
- Poção
- Brejo da Madre de Deus
- Jataúba
- Taquaritinga do Norte
- Tacaimbó
- Santa Cruz do Capibaribe
Estiagem
O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) reconheceu, na quarta-feira (14), a situação de emergência em 137 municípios do país, sendo 103 em Pernambuco, atingidos principalmente pela estiagem.
Os 103 municípios tiveram a situação de emergência reconhecida em razão da estiagem, caracterizada pela redução prolongada das chuvas e impactos no abastecimento de água, na produção agrícola e na vida da população.
Com o reconhecimento federal, as prefeituras pernambucanas passam a poder solicitar recursos do Governo Federal para ações de defesa civil, como a compra de cestas básicas, água potável, refeições para trabalhadores e voluntários, além de kits de limpeza, higiene pessoal e dormitório.
As solicitações devem ser feitas por meio do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2iD), e os pedidos serão analisados pela Defesa Civil Nacional, que define os valores a serem liberados conforme os planos de trabalho apresentados.
Situação de emergência
Desde 31 de dezembro, Pernambuco está em situação de emergência em 107 municípios em razão da escassez de chuvas. O decreto vale por 180 dias e tem como objetivo minimizar os efeitos da seca hidrológica nos reservatórios e na rede de abastecimento de água das cidades afetadas pela estiagem.
De acordo com o Governo do Estado, a medida foi adotada com base em um parecer técnico elaborado pela Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil, bem como em notas técnicas da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) e de outros órgãos estaduais. A Apac registrou avanço significativo da seca extrema nas áreas do oeste do Estado e da seca fraca no Agreste, na área da divisa com Alagoas.