"Existia temor constante", diz vizinha do Edifício 13 de Maio, no Recife
Moradores do entorno do Edifício 13 de Maio conviveram por muitos anos com medo em função do risco que a estrutura representa
Marília Parente e Nicolle Gomes
Publicado: 06/01/2026 às 16:25
Edifício 13 de Maio, no Centro do Recife, está abandonado há 65 anos (Foto: Crysli Viana/DP Foto)
Os moradores do entorno do Edifício 13 de Maio, no Centro do Recife, receberam a notícia da demolição do imóvel com “alegria e apreensão”, após conviverem com um “temor constante” por anos.
O relato é da moradora Tereza Sousa, síndica do Edifício União, prédio vizinho ao “esqueleto” do 13 de Maio. Ela conversou com o Diario nesta terça (6), quando os serviços de demolição oficialmente foram iniciados.
“Havia um temor constante. A notícia foi recebida com alegria e, ao mesmo tempo, apreensão. Porque fica o cuidado de como vai ser, se vai ter algum dano para o edifício. A equipe da Defesa Civil acabou de informar que não será necessário sair, que o prédio vai ter todo o revestimento de proteção, e que a gente pode ficar tranquilo, pois ele vão fazer a inspeção também no nosso prédio e nos apartamentos”, disse Tereza.
Ainda segundo a síndica, recentemente algumas partes da estrutura caíram, aumentando a apreensão dos moradores. “Do ano passado para cá, começaram a cair pedaços da estrutura, a cada ano que se passa está mais danificado”.
Demolição
O processo de demolição do Edifício 13 de Maio foi iniciado nesta terça (6). A Prefeitura do Recife divulgou que o serviço custará R$ 1,6 milhão e deve durar 8 meses.
O imóvel, classificado como Risco Muito Alto (R4) pela Secretaria Executiva de Defesa Civil (Sedec), será demolido em duas etapas, uma manual e uma mecanizada. A informação foi dada em entrevista coletiva nesta terça (6), por Bernardo Dornelas, diretor da construtora Nova Terra, responsável pela demolição do imóvel.
Do topo do prédio até o quarto pavimento, o trabalho será manual, segundo Dornelas. A partir daí, a demolição será mecanizada, utilizando escavadeiras hidráulicas e acopladas, uma etapa mais rápida do que a primeira.
“Nesse tipo de edificação aqui, por ser uma edificação onde você tem muitas, muitas residências no seu entorno, é impossível basicamente fazer uma demolição com explosivos aqui. Então, a gente tem uma demolição mecanizada. E por causa da grande quantidade de entornos, a gente não consegue fazer um tombamento da estrutura”, expôs.
Interdições de prédios ou trânsito do entorno estão sendo avaliadas em conjunto com a Defesa Civil do Recife.
“Nós vamos fazer uma avaliação em conjunto, a empresa, os moradores, a Defesa Civil, para conseguirmos achar a melhor forma de trabalhar aqui. Logicamente, para a gente tá trabalhando, quanto mais área a gente tiver de trabalho é melhor, mas a gente entende o desconforto que causa a população. Então, com certeza, precisa ter essa consciência da população e esse entendimento da área que vamos isolar”, afirmou.
Sobre o Edifício 13 de Maio
O Edifício 13 de Maio está abandonado há 65 anos, antes mesmo de ser construído totalmente. A estrutura tem 12 pavimentos, e é localizada na rua da União, nº 515, no bairro da Boa Vista, Centro da cidade.
O imóvel foi levantado pela antiga Imobiliária União e, hoje, é cercado de diversos tipos de imóveis, além do Ginásio Pernambucano, do Parque 13 de Maio e de edificações da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). Com o passar dos anos, a estrutura precária começou a apresentar preocupações e riscos de desabamento para os moradores do entorno.