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Venezuelanos no Recife comemoram prisão de Maduro e veem intervenção estrangeira como necessária

Em ato no Marco Zero, imigrantes venezuelanos celebram a prisão de Nicolás Maduro, mas expressam cautela com o futuro e o papel dos EUA na transição

Allan Lopes e Marília Parente

Publicado: 04/01/2026 às 20:16

Imigrantes venezuelanos foram ao Marco Zero celebrar a queda do ex-presidente Nicolás Maduro/Foto: Marília Parente/DP

Imigrantes venezuelanos foram ao Marco Zero celebrar a queda do ex-presidente Nicolás Maduro (Foto: Marília Parente/DP)

Neste domingo (4), um grupo de venezuelanos residentes no Recife se dirigiu à Praça do Marco Zero, no Bairro do Recife, para celebrar a prisão do ex-presidente Nicolás Maduro após a intervenção militar liderada pelos Estados Unidos. Os manifestantes disseram que fugiram da crise econômica e política em seu país, expressaram apoio à ação internacional como um meio necessário para iniciar uma transição democrática na Venezuela, mesmo reconhecendo as incertezas e os interesses geopolíticos envolvidos.

O encontro, organizado de forma independente pela comunidade de imigrantes, reuniu pessoas que vivem no Brasil há anos. É o caso de Marioli Guerreiro, de 33 anos, professora de espanhol que mora no Recife há quase uma década. Ela relatou uma sensação de dever cumprido após anos de oposição. "A gente tentou todos os jeitos democráticos. Infelizmente, não tivemos a força ou o apoio dos militares. Para conseguir essa transição, a gente precisa dessa ajuda estrangeira", afirmou.

Sobre a exploração do petróleo venezuelano, apontada por críticos como a verdadeira motivação da intervenção, os manifestantes adotam um tom pragmático.

"A Venezuela tem a maior reserva e ela não é atrativa só para os EUA. Rússia, China, Cuba, Irã... eles têm anos explorando nosso petróleo em troca de nada", argumentou Marioli, defendendo uma "negociação justa" com um comprador que efetivamente pague pelo recurso.

A auxiliar administrativa Isabel Maneiro, 46, que deixou a Venezuela há sete anos após seu salário de professora se tornar insuficiente até mesmo para a alimentação básica, vê a intervenção norte-americana como um mal necessário. "É o preço que a gente tem que pagar por tantos anos de opressão”. A esperança, segundo ela, é que as coisas melhorem “quando chegar o presidente eleito".

A questão do retorno à Venezuela, no entanto, ainda é delicada. “Tem que ter condições para a gente poder voltar”, ponderou Marioli. “Acho que o país precisa, por enquanto, de mais pessoas do exterior ajudando a estruturar o país”.

Intervenção americana

As forças americanas atacaram Caracas nas primeiras horas deste sábado (3), bombardeando alvos militares. Elas capturaram Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e os tiraram do país para responderem por acusações em Nova York.

As Forças Armadas da Venezuela reconheceram Delcy Rodríguez como presidente interina neste domingo. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino, leu na televisão um comunicado que incluiu a decisão do Tribunal Supremo de que Rodríguez assuma o poder por 90 dias.

O governo de Trump diz que está disposto a trabalhar com o atual governo venezuelano, desde que os objetivos de Washington sejam atendidos, incluindo a abertura do acesso do investimento americano às enormes reservas de petróleo bruto da Venezuela. 

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