"Estamos caminhando para um terceiro turno", diz cientista político
Jorge Mizael aponta possíveis violações ao Código Eleitoral diante de denúncias de falta de transporte público e da decisão do STF de ampliar a votação
Nathallie Lopes - Correio Braziliense
Publicado: 25/10/2026 às 19:33
Mizael citou o artigo 237 do Código Eleitoral para sustentar avaliação (Reprodução/ YouTube Correio Braziliense)
O cientista político Jorge Mizael avaliou que as dificuldades de transporte público enfrentadas por eleitores e a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de ampliar o horário de votação podem prolongar a disputa eleitoral para além das urnas. “Estamos caminhando para um cenário de terceiro turno”, afirmou neste domingo (25), durante entrevista ao CB Poder Eleições, programa especial do Correio Braziliense para acompanhar o segundo turno.
Mizael citou o artigo 237 do Código Eleitoral para sustentar sua avaliação. O dispositivo prevê punição à interferência do poder econômico e ao abuso de autoridade que prejudiquem a liberdade do voto.
Na avaliação do cientista político, as decisões judiciais tomadas a partir de agora devem abrir uma nova frente de disputa entre as campanhas. Ele prevê que os grupos políticos busquem responsabilizar os envolvidos em possíveis interferências no processo eleitoral.
“Qualquer que seja o conjunto de decisões judiciais que venha a ser tomado de agora em diante, vai nos levar para um terceiro turno, em que as campanhas vão buscar o resguardo do máximo rigor da lei e da punição para aqueles que tentaram interferir na ordem democrática”, afirmou.
A entrevista ocorreu em meio a questionamentos sobre as dificuldades de deslocamento de eleitores em cidades como Salvador e São Paulo, onde houve denúncias de redução da oferta de ônibus, além dos temporais que atingiram regiões do país. Os problemas motivaram pedidos de extensão do horário de votação, posteriormente ampliado por decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF.
A mudança ocorreu quando parte das urnas já havia sido fechada e a apuração começava em algumas localidades, o que acrescentou dúvidas jurídicas e operacionais ao processo eleitoral. Para Mizael, o desdobramento das decisões judiciais pode levar as campanhas a contestar medidas e buscar punições após o encerramento da votação.
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