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Flávio Bolsonaro atuou como advogado de PMs acusados de homicídio no Rio

Senador e candidato à presidência ainda participou da defesa de dois ex-sócios do "Faraó do Bitcoin" e integra a defesa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro

Cynthia Morato

Publicado: 22/10/2026 às 19:16

Flávio Bolsonaro (PL)/ Mauro Pimentel/AFP

Flávio Bolsonaro (PL) ( Mauro Pimentel/AFP)

O candidato à presidência e senador, Flávio Bolsonaro (PL), atuou como advogado em outros casos, além do da menina Ana Clara Gomes, no qual ele é um dos defensores do acusado, o policial militar Bruno Dias Delaroli. Em pelo menos dois deles, segundo levantamento do Intercept Brasil, o parlamentar atuou como defensor de acusados de crimes.

Um dos casos foi a defesa de quatro policiais militares que são acusados de homicídio. Os PMs são acusados de matarem quatro homens, em 2020, durante uma emboscada na comunidade do Vidigal, no Rio de Janeiro.

Em outro caso, Flávio defendeu dois ex-sócios de Glaidson Acácio dos Santos, o “Faraó do Bitcoin”. Segundo o Ministério Público Federal (MPF), Santos atuava como líder de um esquema bilionário de pirâmide financeira envolvendo criptomoedas.

Além disso, segundo o Intercept Brasil, Flávio integra a equipe de defesa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele passou a ser um dos advogados do pai em março deste ano e, como tal, teria livre acesso a Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Entenda os casos

Em 2025, Flávio Bolsonaro ingressou na equipe de defensores para livrar os cabos Pedro Jeremias Lemos Pinheiro, Victor Barcelleiro Batista e Rafael Nascimento Rosa e o sargento Ricardo de Moraes Mattos da acusação de homicídio no Vidigal. O crime ocorreu em 2020 e, apesar de a Justiça decidir em 2022 que eles deveriam passar pelo Tribunal do Júri, houve recurso e o processo segue em andamento no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Flávio foi um dos advogados que assinou o recurso no STJ para evitar os acusados de irem a júri popular.

Já em 2021, dois ex-sócios de Glaidson Acácio dos Santos, o “Faraó do Bitcoin” foram presos preventivamente. Eles foram denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF) por crimes contra o sistema financeiro, gestão fraudulenta e organização criminosa.

Segundo a investigação, o esquema liderado pelo “Faraó do Bitcoin” seria operado por meio da GAS Consultoria e teria movimentado cerca de R$ 38 bilhões ao longo dos anos. Flávio assinou, como um dos advogados de defesa, o habeas corpus que pedia no STJ o trancamento da ação penal contra dois ex-sócios.

Senador pode advogar?

De acordo com o Estatuto da Advocacia (Lei Nº 8.906/94), membros do Poder Legislativo, como deputados e senadores, podem representar clientes pessoa física e empresas privadas, além de poder manter um escritório de advocacia privado e prestar consultoria jurídica.

No entanto, de acordo com a legislação, “são impedidos de exercer a advocacia os membros do Poder Legislativo, em seus diferentes níveis, contra ou a favor das pessoas jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas, entidades paraestatais ou empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público”.

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