Conferência Nacional dos Bispos pede respeito ao resultado das urnas e defesa da Constituição
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) entrou no centro da discussão política após o candidato Flávio Bolsonaro (PL) ter acusado, sem apresentar provas, membros da instituição de ajudarem a espalhar informações falsas sobre Nossa Senhora Aparecida
Publicado: 22/10/2026 às 18:05
Bispos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). (Paulo Augusto Cruz/Divulgação/CNBB)
Nesta quinta-feira (22), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apelou pelo respeito ao resultado das urnas nas eleições presidenciais do próximo domingo (25), defendendo que o presidente eleito resguarde a soberania do país e a Constituição. A instituição ressaltou ainda a importância do candidato vitorioso assumir seus compromissos com determinação.
"O Brasil, como país soberano, necessita de trabalho digno, alimentação, moradia, saúde, educação e segurança de qualidade. Precisa cuidar do meio ambiente, garantir os direitos humanos e promover a paz. Reafirmamos a importância da defesa da Constituição, do Estado Democrático de Direito e do respeito aos resultados legítimos das urnas, expressão da liberdade de escolher os que governam. Encorajamos a participação consciente de todos neste segundo turno das eleições", diz a nota da entidade.
A CNBB entrou no centro da discussão política após o candidato Flávio Bolsonaro (PL) ter acusado, sem apresentar provas, membros da instituição de ajudarem a espalhar a informação falsa de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Flávio Bolsonaro acusou o Partido dos Trabalhadores (PT), legenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de divulgar a fake news, afirmando que "o PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news. Conseguiu com ajuda de gente dentro da CNBB."
"A mentira não se combate com outra mentira", rebateu a CNBB
O Brasil continua a ser o país com o maior número de católicos no mundo, embora a proporção de fiéis tenha se reduzido nos últimos anos. Segundo o Censo de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 100,2 milhões de pessoas com 10 anos ou mais se declararam católicas, representando 56,7% da população brasileira — em 2010, o grupo equivalia a 65,1%. Já os evangélicos passaram de 21,6% para 26,9% no mesmo período, totalizando 47,4 milhões de pessoas. O número de evangélicos no Brasil triplicou nos últimos 30 anos, segundo dados do IBGE.
Na nota oficial divulgada hoje, a CNBB finaliza o texto com uma aspiração: "que Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, interceda por nós e ajude-nos a vencer a indiferença e a construir uma convivência fundada na verdade, na fraternidade e na paz".
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