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Política
Denúncia

Advogado diz que Amisadai "sabe que errou", mas nega existência de "gabinete do ódio"

Defesa de Amisadai questionou a apresentação de provas contra o cliente e apontou a existência de novos elementos em sigilo no caso

Amauri Lins e Nicolle Gomes

Publicado: 28/09/2026 às 17:52

Luiz Rocha, advogado de Amisadai Andrade/Foto: Nicolle Gomes/DP

Luiz Rocha, advogado de Amisadai Andrade (Foto: Nicolle Gomes/DP)

O advogado Luiz Rocha, representante jurídico de Amisadai Andrade, apontado como coordenador de um suposto esquema de perseguição a adversários da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), comentou sobre os novos trechos do vídeo de uma reunião entre o seu cliente e outros participantes do suposto esquema.

Em entrevista ao Diario de Pernambuco, a defesa de Amisadai admitiu a conduta inadequada, mas negou a existência de uma estrutura organizada com a finalidade de criticar opositores, que ficou conhecida como “gabinete do ódio”. Questionado se Amisadai poderia ser apontado como vítima em relação ao episódio do vazamento da reunião, Luiz apresentou duas perspectivas.

“Na questão da formação desse suposto ‘gabinete do ódio’ inexistente, do ponto de vista prático, até me prove em contrário, sim. Na alegação da fala dele, não, ele sabe que errou. Pela impropriedade da fala dele, em busca de fechar um contrato comercial que era interessante para empresa Portal de Prefeitura”, afirmou.

De acordo com o advogado, o teor da fala foi uma estratégia utilizada pelo cliente para transparecer maior autoridade em meio à negociação. “Na busca de fechar esse contrato, ele usou frases de efeito para poder mostrar um poder de influência que não teria, nem junto da governadora nem do próprio governo”, disse.

O novo trecho apresentado pela TV Record no último sábado (26) apresenta Amisadai Andrade ao lado de José Roberto Júnior e Rodolfo Costa, sócios do site Portal de Prefeitura. No vídeo, Amisadai menciona uma suposta estrutura, com auxílio de jornalistas, que seria utilizada para “bater” em João Campos (PSB), principal adversário de Raquel na disputa pelo Executivo estadual.

Para Luiz Rocha, o ponto central da denúncia em torno da existência de um suposto “gabinete do ódio” liderado por Amisadai seria a materialização dos ataques realizados, através da apresentação de notícias ou publicações que reforçassem as alegações, o que, segundo ele, não ocorreu até o momento.

“Se esse fato concreto existisse, a coisa mais fácil do mundo era dizer, ‘aqui foi produzido esta matéria’ ou ‘foi produzida esta alegação’ ou ‘foi produzida esta disseminação em redes sociais para atacar este mesmo candidato’. No entanto, não se tem esse registro. Todo o envolvimento de fatos é construído em torno de supostas alegações”, declarou.

Novos elementos e investigação em sigilo

Em outro momento da entrevista, o advogado apontou a existência de outras informações sobre o caso que ainda não se tornaram públicas. Segundo ele, o conjunto dos fatos relatados por Amisadai e o conteúdo em sigilo do processo “aponta para fatos que talvez vá surpreender muita gente”. Luiz cobrou ainda que a Polícia Federal apure o episódio até a última instância.

O jurista também afirmou que a restrição de acesso às informações foi um pedido da defesa de Amisadai. “Nós mesmos pedimos para que fosse colocado sob sigilo, porque há citação de pessoas que estão no entorno dos fatos e precisam ser preservadas por dois motivos: primeiro, nós não estamos criminalizando essas pessoas; segundo, é preciso se preservar essa participação para que a polícia possa chegar ao desiderato final, apontando um por um, se isso é uma farsa”, disse.

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