Conselho do MPF tem maioria para não afastar Gonet do caso Master
Placar é de 3x2 para que procurador-geral da República não seja investigado preliminarmente por relação com Vorcaro
Publicado: 25/09/2026 às 17:10
Procurador-geral da República, Paulo Gonet, é alvo de questionamentos no Conselho Superior do Ministério Público Federal (Rosinei Coutinho/STF)
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) formou maioria, nesta sexta-feira (25), contra o afastamento do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, das apurações relacionadas ao Banco Master.
O relator, subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino votou nesse sentido e foi acompanhado por Janice Agostinho Barreto Ascari, Celso de Albuquerque Silva, Samantha Chantal Dobrowolski e Alexandre Camanho de Assis. O placar é de 5x0.
No entanto, o placar ainda é de 3x2 pela não abertura de uma investigação sobre a atuação de Gonet nas apurações relacionadas ao Banco Master.
A conselheira Janice Agostinho abriu divergência e votou pela designação de um subprocurador para abrir um procedimento para apurar, preliminarmente, as relações entre Gonet e Vorcaro. “Fatos demandam esclarecimentos”, pontuou.
Ela foi acompanhada por Samantha Chantal Dobrowolski, que defendeu que Gonet deveria ter se declarado impedido na investigação do caso, tendo em vista que ele é citado nos autos.
“O PGR não tinha o direito de ser promotor de si próprio ao se deparar com elementos dando conta da sua pessoa. Quem está de alguma forma ligada à investigação, para além de sujeito processual, ele estava incompatibilizado e impedido na causa”, apontou.
Ela ainda relembrou que Gonet pediu anulação de relatório da Polícia Federal sobre contatos entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Ele estava mencionado nos fatos da investigação, e mesmo assim pediu a nulidade absoluta daqueles autos, seja para tornar nulos os elementos que tratavam dele, seja os que tratavam de outras pessoas”, afirmou.
O julgamento
O Conselho analisa uma notícia-crime apresentada pelo partido Novo, que cita mensagens obtidas pela Polícia Federal atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro nas quais o nome de Gonet é mencionado.
Além disso, foram apreciados outros fatos, como a fotografia em que o PGR e o banqueiro aparecem juntos, manifestação do PGR em caso do Master, a participação em evento em Londres e a ligação telefônica entre o advogado Ciro Soares e Vorcaro, na qual Gonet participou.
“Não podemos analisar a participação de 2024, quando não se tinha ciência de irregularidade, com os olhos de 2026, quando se tem ciência”, defendeu Celso Silva, sobre a participação no evento I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, que teve patrocínio do Banco Master.
Os subprocuradores minimizaram os eventos analisados e destacaram que os autos não comprovam uma “relação íntima” e de beneficiamento entre os dois e que não existem elementos mínimos para a abertura da investigação contra Gonet.
Eles apontaram não haver “comunicação direta” entre Vorcaro e Gonet nas mensagens analisadas, mas apenas menções ao PGR em mensagens trocadas entre Vorcaro e o advogado Ciro Soares.
- Caso Master: conselho do MPF tem 3 votos para manter Gonet à frente das investigações
- Vídeo mostra Vorcaro com dirigente da PF e ex-ministros de Bolsonaro e Lula em festa em Londres
- Vídeo mostra festa de 2024 em Londres com Vorcaro, Andrei, Lewandowski, Ciro Nogueira e Fábio Faria
- Caso Master: seis ministros do STF aparecem nas investigações
- Foto de Gonet com Vorcaro aparece em mensagens apreendidas pela PF