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Política
CRISE NO STF

Pastores questionam André Mendonça por exercer funções no STF e na Igreja

Documento conta com 24 assinaturas e aponta para incompatibilidade teológica de exercer simultaneamente as duas funções

Luíza Altoé - Correio Braziliense

Publicado: 17/09/2026 às 12:39

Mendonça atua como pastor adjunto na Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), em São Paulo, desde 2025/Rosinei Coutinho/STF

Mendonça atua como pastor adjunto na Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), em São Paulo, desde 2025 (Rosinei Coutinho/STF)

Um grupo de pastores, em sua maioria presbiterianos, apresentou uma interpelação de interesse público a André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), questionando o ministro sobre suas atuações simultâneas na Justiça e na Igreja.

O documento conta com 24 assinaturas e aponta para a incompatibilidade teológica de, além de ministro, André Mendonça atuar como pastor adjunto na Igreja Presbiteriana de Pinheiros (IPP), em São Paulo, desde 2025.

Segundo o texto, não se trata de um caso de “animosidade pessoal”, mas de “dever de consciência, zelo da pureza da Igreja e a convicção, também confessional, da separação entre a Igreja e o Estado”.

“Falamos como irmãos, mas com o respeito que lhe é devido — alguns de nós encanecidos no ministério — que recordam a um pastor mais moço o que a vocação exige de todos nós”, escrevem.

O documento cita o vídeo divulgado pelo ministro em meio à crise no STF, em que agradece os fiéis da igreja pelo apoio. A fala ocorreu no dia 4 de setembro, após receber ataques pela sua atuação na condução do processo do caso Master.

Naquela semana, o ministro retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) contendo mensagens que ligam o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

“Converteu-se o pastor em fiador do juiz e o rebanho em base de apoio — precisamente a confusão que a Confissão veda”, critica o documento, ao se referir a Confissão de Fé de Westminster, adotada e seguida pela Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB).

Os pastores defendem que a mesma mão que “empunha a espada que o Estado confiou” não pode ser a mesma que detém as “chaves que só à Igreja pertencem”. Ou seja, um magistrado não poderia atuar como líder religioso, ou o contrário.

“Quem recebeu e adotou sinceramente a Confissão como fiel exposição do sistema de doutrina não pode invocá-la quando lhe convém e desconhecê-la quando lhe pesa”, apontam.

Eles sustentam ainda que a magistratura não apenas disputa tempo do ministério, como compromete a “transparência do pastor”, prejudicando seus fiéis. “Por isso dizemos sem rodeios: pastor deve ser pastor”, pontuam.

Diante desse cenário, a interpelação questiona o ministro sobre, entre outras medidas, como ele concilia as duas funções, tendo em vista a Confissão seguida pela Igreja.

“Como poderá ser tido por árbitro imparcial das liberdades religiosas de todas as confissões quem é, ao mesmo tempo, pastor de uma delas? E como poderá um presbitério exercer com independência a disciplina eclesiástica sobre membro da Suprema Corte?”

Confira matéria no Correio Braziliense.

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