Fraude entre Banco Master e BRB soma R$ 17 bi com documentos falsos, aponta PF
Segundo informações da Polícia Federal (PF), o esquema entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) foi estruturado mediante a produção massiva de documentos falsos e a utilização de uma empresa de fachada
Publicado: 12/09/2026 às 14:10
Banco Master foi liquidado em novembro de 2025 pelo Banco Central (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
A Polícia Federal concluiu que as fraudes praticadas entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) somaram cerca de R$ 17 bilhões. O esquema foi estruturado mediante a produção massiva de documentos falsos e a utilização de uma empresa de fachada.
A conclusão consta no conjunto de arquivos cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa estão presos. Procurada, a defesa de Vorcaro não se pronunciou. A reportagem buscou contato com os advogados de Costa, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.
Segundo a PF, "as investigações identificaram que operações fictícias ou materialmente insubsistentes, que somam cerca de R$ 17 bilhões, foram estruturadas mediante produção massiva de documentos falsos, manipulação de dados internos e utilização de empresa de fachada, com a conivência e atuação dolosa da alta administração do BRB, especialmente de seu então presidente, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa".
Especificamente sobre o BRB, a Polícia Federal apontou a "prática de corrupção explícita" pelo ex-presidente da instituição e calculou em R$ 20 bilhões o total de transferências do Banco de Brasília para operações incompatíveis com a higidez da instituição.
O Master vendia carteiras de crédito fictícias para o BRB, banco estatal do Distrito Federal. Em 2025, o BRB tentou comprar o Master, mas a negociação foi rejeitada pelo Banco Central e a instituição de Daniel Vorcaro acabou liquidada. O BRB, por sua vez, herdou um prejuízo bilionário, que ainda não foi totalmente calculado nem coberto.
Conforme as investigações, o banco de Vorcaro passou a enfrentar dificuldades de liquidez mais graves a partir de 2024. Foi então que, para obter recursos rapidamente, passou a vender carteiras de crédito para a instituição estatal.
Para concretizar a fraude, foi constituída a empresa Tirreno, suspeita de servir como veículo para emissão e circulação dos ativos. A Tirreno repassava créditos fictícios para o Master, que os vendia para o BRB.
O objetivo da manobra era conferir lastro às transações previamente realizadas entre as instituições, já que o Master não possuía histórico ou capacidade operacional para gerar crédito consignado em volumes bilionários.
A aprovação das compras era realizada pela diretoria do BRB com "trâmite frequentemente acelerado", contrariando pareceres jurídicos que exigiam consulta ao Conselho de Administração, segundo os relatórios da PF.
"Mesmo diante de alertas técnicos e jurídicos, inexistência de lastro financeiro e impedimentos de auditoria, o BRB persistiu nas aquisições, suprimindo controles de governança e flexibilizando limites prudenciais, com o objetivo de favorecer o Banco Master", aponta a corporação.
A investigação identificou que, como contrapartida, Vorcaro pagou propina de R$ 146,5 milhões a Paulo Henrique Costa. O repasse foi operacionalizado por meio da aquisição de imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília.
Entre as irregularidades, a PF descobriu que a equipe de tecnologia do Banco Master utilizava scripts e códigos para gerar Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) em lote a partir de CPFs extraídos de bancos de dados antigos — como o do programa CredCesta, cartão de benefício consignado criado na Bahia que passou a ser operado pelo Master.
A fraude envolveu também a fabricação de cláusulas em que se simulava que os clientes teriam dado procuração para o Banco Master ou para a Tirreno assinarem empréstimos em seus nomes, sem a autorização ou ciência dos titulares. Houve a criação automatizada de 2,7 mil procurações, das quais ao menos 1.785 foram enviadas ao BRB referentes a créditos supostamente originados pela Tirreno.
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