Flávio Bolsonaro é alvo de inquérito da PF no STF no caso Dark Horse
Investigação aberta em julho apura corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas em repasses de Daniel Vorcaro ao filme sobre Jair Bolsonaro; delação de operador do mercado financeiro detalha esquema
Publicado: 11/09/2026 às 09:45
PF apura a prática dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas em repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master (Daniel Ramalho/AFP)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, é investigado pela Polícia Federal em inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, a cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação, autorizada em 23 de julho de 2026 pelo ministro André Mendonça, apura a suposta prática dos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas em repasses do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, à produção da obra.
A PF pediu a abertura do procedimento após receber elementos que indicam, em tese, que Flávio Bolsonaro teria atuado como intermediário entre Vorcaro e a produtora do filme, a Go Up, de Karina Ferreira da Gama. Em parecer de 21 de julho, a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à investigação e solicitou à Polícia Federal que mapeie projetos legislativos de Flávio Bolsonaro e do deputado Mário Frias (PL-SP) que tenham sido de interesse do Banco Master e de empresas ligadas a Vorcaro no Congresso.
O que a PF apura
No inquérito sob relatoria de Mendonça, a PF investiga se os repasses de Vorcaro à produção de “Dark Horse” - que, segundo a campanha de Flávio, seriam recursos privados - foram usados, na realidade, para beneficiar a campanha ou a estrutura política do senador, configurando corrupção (vantagem indevida em troca de favorecimentos), lavagem de dinheiro (ocultação da origem ilícita dos recursos) e evasão de divisas (saída não declarada de dólares do país).
De acordo com informações da investigação, Flávio Bolsonaro teria solicitado a Vorcaro, em setembro de 2025, um repasse adicional de US$ 1,6 milhão para a produtora, em momento em que a obra já enfrentava restrições de financiamento. A PF também apura a atuação de Eduardo Bolsonaro e de operadores do mercado financeiro, como Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, dono da Entre Investimentos, que firmou acordo de delação premiada com a PGR e é suspeito de intermediar os repasses e buscar dinheiro vivo para pagamentos.
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