Entidades empresariais cobram resposta pública e urgente do STF à crise institucional
Documento afirma que o Brasil atravessa uma "crise institucional de extrema gravidade" e aponta o STF como o centro dessa situação
Publicado: 09/09/2026 às 10:52
Os ministros Gilmar Mendes, André Mendonça, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli em sessão no plenário do STF (Bruno Moura/STF)
Entidades empresariais brasileiras divulgaram nesta quarta-feira (9) um manifesto que exige do Supremo Tribunal Federal uma resposta pública e imediata aos fatos que alimentam a atual crise na Corte. O texto, intitulado "Manifesto à Nação Brasileira", foi publicado em página própria na Internet e em jornais impressos e já reúne a adesão de aproximadamente 2.800 associações, federações e sindicatos de diferentes setores e regiões do pais.
O documento afirma que o Brasil atravessa uma "crise institucional de extrema gravidade" e aponta o STF como o centro dessa situação. "A Sociedade Brasileira exige que o Plenário do Supremo examine em sessão pública os fatos, decida com absoluta urgência, sem subterfúgios e sem corporativismo", diz o texto, que não cita nominalmente ministros nem detalha episódios específicos.
Entre as principais signatárias estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC). Também assinam a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), a Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
A mobilização foi articulada pela Fiesp, que reuniu assinaturas de entidades ligadas aos setores automotivo, têxtil, da construção civil, imobiliário, financeiro, do agronegócio, do comércio, de cooperativas e da advocacia. Uma versão preliminar do texto chegou a sugerir o afastamento de autoridades suspeitas, mas a proposta foi descartada por interlocutores do movimento, que afirmaram não caber ao setor empresarial pedir a saída de ministros do STF. Lideranças de alguns setores, como agroindústria e têxtil, relataram receio de aderir ao manifesto por temor de retaliação em processos na Corte ou de que a iniciativa fosse interpretada como interferência política em ano eleitoral.
Alban: "instituições em risco"
Em posicionamento em suas redes sociais, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que as sucessivas crises em Brasília colocam as instituições em risco e exigem uma reação "vigorosa", justa e responsável. Em texto intitulado Não vamos desistir do Brasil, Alban pediu bom senso às autoridades e defendeu que as discussões sobre o tema sejam livres, públicas e transparentes, com oportunidade de esclarecimento aos envolvidos.
Ele também defendeu que as decisões considerem os efeitos sobre competitividade, produtividade e geração de empregos e convocou poderes públicos, empresários e trabalhadores a buscar consenso em torno de metas fiscais e políticas capazes de garantir investimentos.
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