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Depoimento

Caso Master: Vorcaro afirma que houve "vazamento seletivo" de informações

Dono do Banco Master, Daniel Vorcaro ainda disse não ter perfil violento e garantiu: "nunca fiz nada contra ninguém"

Cynthia Morato

Publicado: 04/09/2026 às 22:01

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master/Banco Master

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master (Banco Master)

Durante o depoimento ao juiz auxiliar do gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, alega que houve “vazamento seletivo desde o começo” de mensagens e trechos do inquérito relativos ao Caso Master. A declaração de Vorcaro foi feita para o juiz João Azambuja, no último dia 27 de agosto na Papudinha, em Brasília, onde o banqueiro está preso.

O banqueiro ainda rejeitou de forma veemente possuir um perfil violento. Segundo ele, essa é uma "narrativa fabricada" para desumanizá-lo perante a opinião pública e o Judiciário.

Vorcaro também alegou ter sofrido maus-tratos e “torturas” como forma de intimidação. Confira trechos do depoimento do banqueiro.

“Vazamento seletivo” de informações

“No meu entendimento, com muita franqueza, a própria PGR (Procuradoria-Geral da República), como o gabinete, como eu, nós estamos sendo levados por membros de uma Polícia Federal que está levando o caso para um lado e usando a mídia, com vazamento seletivo desde o começo, para intimidar todos. E, sinceramente, todos aqui estão sendo intimidados, mesmo que seja indiretamente.”

“Toda a narrativa que veio sendo feita é que eu não colaborei com as investigações porque eu não relatei fatos importantes, quando, na verdade, é justamente o oposto. Eu venho sofrendo retaliações para que eu não colabore com a Justiça desde o início. E a minha prisão é o primeiro fato efetivo que comprova isso.”

“Toda essa destruição (da reputação), infelizmente, ela é uma cortina de fumaça para que os verdadeiros fatos do caso não venham à tona. Expor conversas com a minha noiva, expor conversas pessoais, expor questões de foro privado, íntimo, desde o começo foi efetivamente feito para que não se concluísse ou se não alcançasse uma efetiva colaboração de minha parte.”

Narrativa de perfil violento

“O meu interesse é que o caso seja direcionado efetivamente para o foco que ele deve ter, e não fosse estar sendo dado, a exemplo, a exemplo da narrativa de violências, de milícias, de coisas que são completamente e vão ser provadas que efetivamente não existiram. Não existiram ameaças, não era o meu perfil, quem me conhece sabe. Existiu, sim, uma série de medidas de defesa que eu fiz em relações que foram construídas, mas que foram, no final, infrutíferas, porque aqui estou preso e com o banco que foi liquidado.”

“Para todos que me conhecem de verdade, esse assunto seria até cômico se não fosse essa tragédia que eu estou vivendo, porque é literalmente o oposto do que eu sou. Nunca me envolvi no meio do crime, eu nunca tirei uma arma. Eu nunca fiz nada contra ninguém. A polícia pegou no meio (...) No meio de centenas de milhares de mensagens, eles pegam mensagens que eu mandei esbravejando ali (...) Mas quando atacaram, fizeram coisa com a minha filha, eu esbravejei em momentos ali aleatórios. Em centenas de milhares de mensagens, tem quatro ou cinco mensagens que tiram, que eu esbravejei. (…) é estarrecedor, porque, logo depois, eu já falo que esquece isso aí, não sei o quê, estava nervoso. É estarrecedor o que foi feito de narrativa comigo, porque eu sou uma pessoa menos violenta que possa haver, eu pessoa que sou chamada para resolver conflitos. (...) Eu nunca fiz nada contra ninguém. Aquilo ali é uma deturpação completa da verdade e, na minha opinião, desde lá de trás, o interesse de criar um personagem de violência, de não sei o quê, para ficar preso e calado.”

“Tortura”, intimidações e maus-tratos

“Depois da minha segunda prisão, a exposição se tornou ainda maior. Desde o começo, as equipes, todos os transportes das diversas unidades prisionais que eu me encontrei, eu sofri ameaças, intimidações e temi pela minha vida.”

“Nos transportes, desde a primeira vez, não somente com questões físicas, de torturas, de me deixarem em um caixote por seis horas, sem ar, suando, um transporte para pegar um transporte aéreo. E aí, quando eu abro a porta, eu já recebo uma fala: Isso que dá, você vai querer falar disso do chefe? Vai acontecer isso. Isso em um transporte, quando eu saí de São Paulo, que ia vir para Brasília.”

“Então, nesse transporte, eu sofri essa questão física. Durante os transportes ou os intervalos ali em aeroporto e transporte aéreo, eu sofri falas: Tá vendo? Quer mexer com... querer mexer com... querer mexer com os patrões, agora sua vida vai virar um inferno. Nesse momento eu estava me dirigindo à Penitenciária Federal, que, me desculpe, doutor, eu sei que a decisão proferida pelo gabinete era no interesse de me resguardar, resguardar a minha vida, mas o pedido da Polícia Federal não foi para isso. O pedido foi para me deixar calado, trancafiado e isolado, inclusive dos meus advogados.”

“Quando eu chego nas dependências da Polícia Federal, eu estava com muito medo, não sabia o que me aguardava. O que o meu advogado tinha relatado é que eu iria para um local, depois de tudo que eu tinha passado, todas as mazelas físicas, eu ia para um local que era o mesmo que o ex-presidente tinha ficado e que eu teria condições de conversar com os advogados. Mas, para minha surpresa, eu chego lá e fui colocado lá no calabouço que tem lá na Polícia, que é uma cela transitória, que as pessoas ficam horas, uma noite ou duas noites. E ali também sofri algumas intimidações, fui privado de comida, de água, por um dia, e toda hora alguma pessoa passava para falar alguma coisa.”

“Antes daqui (prisão na Papudinha, em Brasília), eu fui torturado. Essa é a realidade. Eu fui torturado psicologicamente, fisicamente em outros casos. E, desde que eu vim para cá, graças a Deus, eu não tive mais nenhum tipo de problema.”

"Toda essa destruição, infelizmente, ela é uma cortina de fumaça para que os verdadeiros fatos do caso não venham à tona."

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