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Política
Caso Master

R$5 milhões: a doação de Vorcaro para campanhas de Jair Bolsonaro e Tarcísio

Segundo proposta de delação, doações foram feitas como "contrapartidas financeiras" após suposto "ajuste indevido" com Kassab

Guto Moraes*

Publicado: 03/09/2026 às 18:18

Flávio Bolsonaro (à esquerda) e Jair Bolsonaro, figuras centrais na pré-candidatura do filho à presidência da República/Wilson Dias/Agência Brasil

Flávio Bolsonaro (à esquerda) e Jair Bolsonaro, figuras centrais na pré-candidatura do filho à presidência da República (Wilson Dias/Agência Brasil)

Um montante de R$ 5 milhões doados para as campanhas do ex-presidente Jair Bolsonaro e do atual governador de São Paulo, Tarcísio Freitas (Republicanos-SP), candidato à reeleição, em 2022, seria propina de Daniel Vorcaro disfarçada. A afirmação integrou uma tentativa de delação premiada do ex-banqueiro, mas teria sido rejeitada pela Polícia Federal.

A suposta negociação veio a público, nesta quinta-feira (3), em reportagem exclusiva publicada pelo jornalista Fábio Serapião, do UOL. De acordo com a reportagem, R$ 2 milhões foram destinados à campanha de Tarcísio, enquanto R$ 3 milhões integraram a campanha de reeleição de Bolsonaro.

A "propina" negociada buscava a manutenção de um cartão de crédito consignado para servidores públicos - o Credcesta -, caso o então candidato ao governo de São Paulo vencesse. Aliado à época, o então candidato a vice-presidente pelo PSD, Gilberto Kassab, teria sido o responsável pela articulação, afirma Vorcaro.

"O pagamento relacionado à doação eleitoral seria inicialmente realizado integralmente em dinheiro. Gilberto Kassab ou seus interlocutores informaram a Augusto Lima que precisaria cumprir um compromisso com partidos políticos parceiros e somente aceitariam doações oficiais", diz trecho da delação, com referência ao sócio de Vorcaro que é ligado a parentes do Credcesta.

Ainda segundo o ex-banqueiro, coube a Fabiano Zettel assumir nominalmente as doações. Os repasses estão registrados em prestações de contas das campanhas citadas em nome de Zettel, operador de Vorcaro. As informações estão disponíveis na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na tentativa de delação, Vorcaro afirma que tanto a doação formal quanto um pagamento de caixa dois foram realizados e a contrapartida prometida se concretizou. A relação do Credcesta em São Paulo se manteve exclusiva até dezembro de 2024. O art. 314 do Código Penal caracteriza como corrupção passiva o ato de solicitar, receber ou aceitar promessa de vantagem indevida em razão da função.

 

Entenda a negociação

A raiz da negociação seria a manutenção de um cartão consignado para servidores públicos pelo governo de São Paulo, caso o então candidato Tarcísio de Freitas vencesse. O cartão em questão é o Credcesta, operado pela PKL One Participações. A empresa era uma das associadas ao Master e ligada a parentes de Augusto Lima, sócio de Vorcaro.

De acordo com Vorcaro, a negociação teria sido realizada com o então aliado Gilberto Kassab, que, com a vitória, tornou-se secretário de governo de Tarcísio. Kassab é atualmente candidato a vice na chapa presidenciável encabeçada por Ronaldo Caiado (PSD). As doações, segundo o ex-banqueiro, foram "contrapartidas financeiras" e correspondiam ao "ajuste indevido para a manutenção do Credcesta no governo Tarcísio".

*Com informações do UOL.

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