Líder do PL diz que cobrará Alcolumbre diariamente para abrir processo de impeachment de Moraes
Mensagens citadas em relatório da PF indicam que Vorcaro e ministro do STF se encontraram em 14 e 16 de novembro
Publicado: 02/09/2026 às 16:11
O senador Carlos Portinho (PL-RJ) em pronunciamento à bancada (Carlos Moura/Agência Senado)
O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), afirmou que o partido cobrará o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP) todos os dias para abrir o processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes devido à nova leva de mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, revelada pelo Estadão. As declarações foram dadas em entrevista nesta quarta-feira (2).
Parlamentares da sigla assinaram pedidos de impeachment contra Moraes e de afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Também foi protocolada uma queixa-crime contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Os três aparecem citados em conversas de Vorcaro.
"A responsabilidade de todo o caso e do tamanho que quer ter o Senado Federal está nas mãos de Davi Alcolumbre. Estou anunciando que ele será cobrado diariamente pela sua inércia até que abra o pedido de impeachment, porque, se ele está intimidado pelo ministro do STF, a maneira de ele se descolar disso é abrindo, neste momento, pelos fatos revelados, pelo momento que a sociedade vive, o impeachment do ministro Alexandre de Moraes" disse Portinho.
Mensagens citadas em relatório da PF indicam que Vorcaro e Moraes se encontraram em 14 e 16 de novembro, às vésperas da primeira prisão do ex-banqueiro. Os dois conversavam por mensagens de visualização única, por meio de capturas de tela do bloco de notas do celular. Assim, a PF conseguiu acessar o conteúdo enviado por Vorcaro.
No último convite, Vorcaro escreveu ao ministro às 13h40: "Bom dia, Já estou em voo, vou pousar 14h20 e irei direto praí, tudo bem?".
O partido do presidenciável Flávio Bolsonaro também tenta colar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no escândalo de Vorcaro e Moraes. Por isso, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), criticou o distanciamento que o candidato à reeleição quer manter em relação ao ministro e a permanência de Andrei no cargo:
"Se o presidente Lula não cortar e substituir imediatamente o superintendente da Polícia Federal, o presidente Lula também é conivente com essa quadrilha", declarou Sóstenes.
Nas conversas, o ex-banqueiro pediu a Moraes que interviesse junto à PF e à PGR para travar as investigações sobre o caso Master, que tramita no STF. O relator é o ministro André Mendonça.
"Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso", escreveu Vorcaro a Moraes.
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Gonet e o dono do Banco Master conversaram por telefone e por mensagens, com intermédio do advogado Ciro Soares. Nos diálogos, o PGR diz que sente saudades e chama o dono do Banco Master de "máquina" depois de aceitar convite para degustação de uísque em Londres e de pedir que o filho também fosse convidado.
Vorcaro agradeceu o carinho e respondeu que também estava com saudades.
As lideranças do PL defenderam o avanço das investigações. "São gravíssimas as acusações e nós sempre defendemos a presunção de inocência a todos, mas o que já fica claro é que há interferência muito clara do ministro Alexandre de Moraes neste grave episódio, envolvendo o procurador-geral da República, o que nos preocupa muito", prosseguiu Sóstenes.
Portinho, por sua vez, endossou o coro pela saída do ministro do cargo. "A renúncia de Alexandre de Moraes é o mínimo para preservar o que sobra e o que resta da sua reputação", completou.
A eventual aprovação do impeachment de Moraes representaria uma decisão inédita do Senado em relação a ministros do STF, já que a Constituição Federal não prevê esse tipo de medida contra essas autoridades. A Lei do Impeachment (Lei 1.079/1950), porém, estabelece que é responsabilidade da Casa processá-los e julgá-los por crimes de responsabilidade.