Presidenciáveis querem Alexandre de Moraes fora do STF
Flávio, Caiado, Zema e Renan avaliam que ministro perdeu as condições de continuar na Corte, após mensagens que ligam-no a Vorcaro. Para Cury, magistrado deve explicações
Publicado: 02/09/2026 às 07:38
Alexandre de Moraes, ministro do STF (Bruno Peres/Agência Brasil)
Os presidenciáveis do espectro da direita reagiram imediatamente à divulgação das supostas relações entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro — que constam de um relatório da Polícia Federal (PF), cujo sigilo foi retirado pelo também ministro do STF André Mendonça. Augusto Cury (Avante) lembrou que a "a lei não pergunta o cargo de ninguém". Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu a renúncia de Moraes, enquanto Ronaldo Caiado (PSD) pediu que o magistrado seja afastado imediatamente da Corte. Romeu Zema (Novo) voltou a defender o impeachment de Moraes e Renan Santos (Missão) anunciou que pretende apresentar um pedido para que o ministro deixe o STF. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição, foi orientado por auxiliares a não comentar o episódio.
Por meio de nota, Cury afirmou que "quem tem mais poder deve mais explicação". Segundo o candidato, "do presidente da República ao trabalhador mais humilde, onde tem indício tem que ter investigação, e a lei não pergunta o cargo de ninguém. No meu governo não haverá blindagem para ninguém, começando por mim. Quem paga a conta da desconfiança é o cidadão comum, que é o pagador dos impostos, ele quer explicações".
Já Flávio afirmou que ficou "impactado" com os detalhes do contrato fechado entre Vorcaro e o escritório de advocacia da mulher de Moraes, Viviane Barci. Segundo dados atribuídos à investigação, metadados de uma versão do documento apontam um usuário identificado como "Ministro Alexandre de Moraes" como responsável por alterações no arquivo que celebrava o acordo. O escritório de Viviane confirmou que o ministro analisou a minuta, mas afirmou que ele foi consultado para verificar eventual impedimento relacionado à contratação e que não havia impedimento para a prestação dos serviços.
"Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem mais condição de continuar como ministro", cobrou Flávio. O senador lembrou, ainda, que o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, são mencionados nas conversas.
Caiado afirmou que Moraes "não tem a menor condição de continuar" no STF e defendeu que a Corte delibere sobre o afastamento. "Acredito que o colegiado deverá se reunir, e o Supremo dar uma satisfação à população brasileira de que ele estará afastado daquela Corte. É isso que o Brasil espera", exigiu.
Nas redes sociais, Zema acusou Moraes de buscar proteção para Vorcaro junto a Gonet e a Andrei — "impeachment é pouco. Ele merece é cadeia", escreveu. Já Renan afirmou que o ministro estaria "envolvido até o pescoço no escândalo do Banco Master".
No Congresso, a oposição na Câmara passou a defender novas medidas contra Moraes. O deputado Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição, afirmou que o ministro não pode mais permanecer no cargo e classificou como "provas concretas" as informações divulgadas sobre a relação com Vorcaro. Destacou a participação atribuída ao ministro na elaboração do contrato entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes.
No Senado, Carlos Viana (Podemos-MG) protocolou mais um pedido de impeachment contra Moraes. Afirmou que há suspeitas de possível utilização do cargo em benefício de Vorcaro. Ainda no Senado, Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu a paralisação das votações da Casa, nesta semana, para pressionar a saída do ministro.
Com informações do Correio Braziliense.