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Teste de Integridade: como a Justiça Eleitoral verifica se a urna registra o voto corretamente

Auditoria realizada antes e durante a votação compara votos preenchidos em papel com o resultado produzido pela urna eletrônica

Alexandre Cunha*

Publicado: 08/08/2026 às 06:30

Além do procedimento tradicional, a Justiça Eleitoral também realiza o Teste de Integridade com Biometria/Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE

Além do procedimento tradicional, a Justiça Eleitoral também realiza o Teste de Integridade com Biometria (Foto: Antonio Augusto/Ascom/TSE)

Uma das principais ferramentas de auditoria das eleições brasileiras é realizada antes mesmo de a votação começar. O Teste de Integridade verifica, em uma simulação pública, se a urna eletrônica registra corretamente os votos digitados pelos responsáveis pela fiscalização. O procedimento é realizado desde 2002 e, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nunca apresentou divergência entre os votos inseridos no equipamento e o resultado produzido pela máquina.

A auditoria funciona a partir da comparação entre duas formas de registro: os votos preenchidos manualmente em cédulas de papel e aqueles posteriormente digitados na urna eletrônica. O objetivo é verificar se a contagem apresentada pelo equipamento corresponde exatamente ao conjunto de votos que foi utilizado na simulação.

Como funciona

O processo começa na véspera da eleição, quando urnas eletrônicas já preparadas para o pleito são selecionadas em cerimônia pública. Participam da fiscalização representantes da Justiça Eleitoral, partidos políticos e outras entidades fiscalizadoras. As urnas escolhidas são retiradas dos locais onde seriam utilizadas na votação oficial e encaminhadas para espaços definidos pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), que devem permitir o acompanhamento público e contar com estrutura de gravação.

Enquanto isso, voluntários e representantes de partidos, federações e coligações preenchem cédulas de papel com votos para candidatos reais que disputam as eleições. As cédulas são colocadas em urnas de lona e permanecem guardadas até o momento da simulação.

No dia da eleição, entre 8h e 17h, as cédulas são retiradas uma a uma. O voto registrado no papel é lido em voz alta e digitado na urna eletrônica selecionada para o teste. Todo o procedimento é acompanhado por auditores e registrado em áudio e vídeo.

Às 17h, quando termina a votação oficial, a urna utilizada na auditoria emite o Boletim de Urna (BU). É então feita a comparação entre a soma dos votos que estavam nas cédulas de papel e o resultado apresentado eletronicamente pelo equipamento. Para que o teste seja considerado aprovado, os dois resultados precisam coincidir.

O que acontece com a seção eleitoral sorteada?

A urna retirada de uma seção eleitoral para participar do Teste de Integridade não volta a ser utilizada naquela votação. No lugar dela, a Justiça Eleitoral instala imediatamente um equipamento de contingência. Assim, a auditoria não interrompe a votação nem impede os eleitores daquela seção de exercerem o direito ao voto.

Os votos utilizados no teste também não fazem parte da apuração oficial. Eles são exclusivamente simulados para verificar o funcionamento da urna e do sistema de votação.

Teste com biometria

Além do procedimento tradicional, a Justiça Eleitoral também realiza o Teste de Integridade com Biometria. A modalidade foi introduzida nas Eleições de 2022 e mantida em 2024.

Nesse caso, são utilizadas as impressões digitais de eleitores voluntários convidados a participar da auditoria depois de terem votado oficialmente. A modalidade pode ser realizada nas capitais, conforme as condições técnicas, logísticas e orçamentárias da Justiça Eleitoral.

Os locais escolhidos para o teste biométrico são definidos pelas Comissões de Auditoria até dez dias antes da eleição. A quantidade corresponde a entre 5% e 10% do total de urnas destinadas ao Teste de Integridade tradicional.

Os espaços onde a auditoria ocorre ficam abertos ao público, embora o acesso à área específica onde estão instalados os equipamentos seja limitado a integrantes da Comissão de Auditoria, auxiliares e pessoas previamente credenciadas.

Mais de duas décadas de auditoria

O Teste de Integridade é realizado no primeiro e no segundo turnos das eleições e, segundo o TSE, já foi aplicado em todos os estados brasileiros desde 2002. O secretário de Tecnologia da Informação do tribunal, Júlio Valente, afirma que nunca houve registro de resultado diferente daquele correspondente aos votos inseridos na urna durante os testes.

Os resultados das auditorias também são documentados. Os TREs produzem relatórios individuais, enquanto um relatório consolidado apresenta as conclusões do processo. A previsão é de que esses documentos sejam publicados no site da Justiça Eleitoral até 30 dias depois da realização do segundo turno.

*Com informações do TSE

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