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PARANÁ

Vereadora é alvo de notícia-crime no MPF por xenofobia: "Volta para o Ceará"

Parlamentar questionou origem de colega de Plenário e mandou que ela "voltasse para o Ceará", motivando representação no Ministério Público

Correio Braziliense

Publicado: 06/08/2026 às 10:31

Vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL)/Reprodução/YouTube/Câmara Municipal de Curitiba

Vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL) (Reprodução/YouTube/Câmara Municipal de Curitiba)

A vereadora de Curitiba, Delegada Tathiana Guzella (PL), passou a ser investigada pelo Ministério Público Federal (MPF) após uma representação de notícia-crime apresentada em razão de declarações dirigidas à vereadora Vanda de Assis (PT) durante uma sessão da Câmara Municipal. A petista, que nasceu em Campos Sales, no Ceará, afirma ter sido vítima de xenofobia depois de ser questionada pela colega sobre o motivo de morar na capital paranaense.

A discussão ocorreu na sessão ordinária da quarta-feira (5), quando os parlamentares analisavam um projeto que institui a Política de Cadastro Municipal de Pessoas em Situação de Rua. Depois de defender seu posicionamento na tribuna, Vanda foi interpelada por Tathiana, que iniciou o diálogo perguntando sobre sua cidade de origem.

Na sequência, a parlamentar do PL associou a defesa feita por Vanda ao Partido dos Trabalhadores e questionou por que ela havia deixado o estado natal para viver em Curitiba.

Tathiana Guzella disse: "Se a senhora gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, dos partidos correlatos ao PT. Por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, mas veio encher o saco aqui."

A reação foi imediata. Vanda classificou a manifestação como xenofóbica e afirmou, ainda durante a sessão, que esse tipo de conduta configura crime. Diante do aumento da tensão entre as parlamentares, o presidente dos trabalhos, vereador Leonidas Dias (Podemos), interrompeu a fala de Tathiana Guzella ao desligar o microfone, informando que ela teria oportunidade de concluir o pronunciamento posteriormente.

Após o encerramento da sessão, Vanda informou que tentou registrar o episódio junto à Polícia Militar. Segundo a vereadora, a corporação foi acionada, mas nenhuma equipe compareceu ao Legislativo municipal para atender à ocorrência.

Por sua vez, Vanda de Assis declarou que não considera o episódio uma simples divergência entre adversárias políticas e defendeu que situações como essa sejam tratadas com a gravidade prevista na legislação.

"Sou nordestina com muito orgulho. Minha história, minha origem e a de milhões de brasileiras e brasileiros não serão motivo de constrangimento ou discriminação. O que mais me indigna é pensar que isso aconteceu dentro da Câmara Municipal, a casa do povo, em uma sessão pública transmitida ao vivo. Se uma parlamentar se sente à vontade para praticar xenofobia nesse espaço institucional, imagine o que vivem diariamente tantas pessoas migrantes que enfrentam o preconceito longe das câmeras e sem a visibilidade de um mandato", lamentou.


Confira as informações no Correio Braziliense.

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