Seminário reúne jornalistas no Recife e projeta eleições presidenciais: "Difícil para a terceira via"
O painel foi mediado pelo diretor de Jornalismo do Diario de Pernambuco, Felipe Resk
Publicado: 04/07/2026 às 15:20
A sexta edição do Facto Seminário foi realizada na sexta-feira (3) (Divulgação)
Jornalistas de alguns dos principais veículos de imprensa do Brasil debateram os desafios da comunicação e os rumos das eleições presidenciais de 2026, durante a sexta edição do Facto Seminário, realizada na sexta-feira (3), no Recife. A mediação do painel foi feita pelo diretor de Jornalismo do Diario de Pernambuco, Felipe Resk.
Diretora de redação do Correio Braziliense, a jornalista Ana Dubeux falou dos bastidores do jornalismo no centro do poder de Brasília. Para ela, o poder do jornalismo está nas ruas, nas conversas com as pessoas e na população em geral.
"A gente fica muito presa aos temas da política partidária, gastando tempo com brigas e confusões. Acho que temas urgentes devem ser tratados pela imprensa, como a questão das mulheres, a escala 6x1... Pautas verdadeiramente importantes, em vez de colocar a mesmice, as coisas de dia a dia", observou. "Quando estamos no centro do poder, a gente não deve confundir essa proximidade e sim olhar para as pessoas, discutir o que verdadeiramente interessa."
O colunista Igor Gadelha, do portal Metrópoles, abordou os temas que deverão pautar a cobertura das eleições. Para ele, a polarização na política nacional está "cristalizada" e há espaço reduzido para uma terceira via.
"Há um desejo do mercado, mas está difícil. O principal desafio de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) é tentar angariar apoio dos partidos do centrão já no primeiro turno", afirmou.
Na análise de Gadelha, a eleição será marcada pela "disputa de legados". "Lula vai tentar defender o dele, Flávio vai tentar defender o do pai. Acredito que o principal tema deve ser o Caso Master, e também a farra do INSS. Vai ter uma pauta internacional muito forte, com o tarifaço dos Estados Unidos e arelação com Donald Trump. Por fim, segurança pública e a anistia ao 8 de janeiro também devem estar na pauta", avaliou.
Segundo o jornalista Wilson Lima, do portal O Antagonista, os bastidores do país revelam a consolidação de duas correntes ideológicas, fenômeno chamado de bolsopetismo.
"Sinto muito, mas não é hora da terceira via. Hoje há um claro desgaste em relação aos dois principais polos que dominam o cenário político. Mas ambos não deram qualquer possibilidade de surgimento de uma terceira via. Lula tem um caminho complicado para uma eventual reeleição, e Flávio tem em seus aliados o principal gargalo para conseguir vencer o petista", analisou.