Irmão de Ciro Nogueira é alvo da PF e terá de usar tornozeleira eletrônica
Os investigadores suspeitam que sua atuação servisse para dar cobertura documental a operações destinadas à transferência dissimulada de vantagens econômicas ao parlamentar
Raphaela Peixoto - Correio Braziliense
Publicado: 07/05/2026 às 10:51
Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão de Ciro Nogueira (Reprodução/Redes sociais )
O irmão do senador Ciro Nogueira (PP), Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, foi alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela Polícia Federal na manhã desta quinta-feira (7/5), durante a quinta fase da Operação Compliance Zero. Por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, ele deverá usar tornozeleira eletrônica, está proibido de deixar o município onde reside e terá de entregar o passaporte no prazo de 48 horas.
Segundo a investigação da Polícia Federal, Raimundo Lima atuaria como “agente de sustentação formal e operacional” de uma estrutura empresarial ligada ao núcleo familiar do senador. Os investigadores suspeitam que sua atuação servisse para dar cobertura documental a operações destinadas à transferência dissimulada de vantagens econômicas ao parlamentar.
Entre os pontos centrais apurados pela PF está a aquisição, por uma empresa imobiliária administrada por Raimundo Lima, de participações societárias com desconto estimado em cerca de R$ 12 milhões abaixo do valor de mercado. Para os investigadores, a negociação teria sido utilizada como mecanismo para ocultar a transferência de patrimônio.
A operação também cumpre mandados de busca em endereços ligados ao senador Ciro Nogueira. De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que o parlamentar teria utilizado o mandato para favorecer interesses privados de um banqueiro em troca de benefícios econômicos.
Entre os fatos citados na investigação está a apresentação de uma emenda parlamentar cujo texto, segundo a PF, teria sido integralmente elaborado por assessores de uma instituição financeira e entregue na residência do senador.
Como suposta contrapartida, o grupo político ligado ao parlamentar teria recebido vantagens que incluem pagamento de despesas de luxo em viagens internacionais, uso gratuito de imóveis de alto padrão e repasses mensais entre R$ 300 mil e R$ 500 mil.
Ao todo, policiais federais cumprem dez mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão temporária nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e Distrito Federal. As ordens foram expedidas pelo STF, que também autorizou o bloqueio de bens, direitos e valores no montante de R$ 18,85 milhões.