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Política
OPERAÇÃO VASSALOS

"Meteórica ascensão": como uma empresa de parentes de Fernando Bezerra Coelho cresceu durante prefeitura do filho, segundo PF

A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na Operação Vassalo, que investiga desvio de recursos públicos em Petrolina, no Sertão

Jorge Cosme

Publicado: 25/02/2026 às 18:14

Fernando Bezerra Coelho e os filhos Miguel Coelho e Fernando Filho, alvos da operação. /Foto: Reprodução/Redes sociais

Fernando Bezerra Coelho e os filhos Miguel Coelho e Fernando Filho, alvos da operação. (Foto: Reprodução/Redes sociais)

A Operação Vassalos, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (25), investiga o direcionamento de verbas federais para custear contratos celebrados com a empresa Liga Engenharia Ltda, de propriedade de familiares do ex-senador Fernando Bezerra Coelho, alvo da operação. Além dele, também são investigados os filhos Fernando Filho (União), deputado federal, e Miguel Coelho, ex-prefeito de Petrolina, no Sertão.

Ao expedir os mandados de busca e apreensão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino classificou como "meteórica" a ascensão da preferência municipal pela empresa Liga Engenharia. O período também marca o momento em que a Codevasf passou a contratar a empresa.

Segundo a PF, no ano de 2017, primeiro da gestão Miguel Coelho em Petrolina, a Liga Engenharia foi a 27ª empresa que mais recebeu recursos do ente municipal, em um total de R$ 1.309.598,83 pagos.

Em 2018, empresa saltou para a 10ª posição, recebendo R$ 7.342.447,54. "A empresa passou para a 5ª colocação no ano de 2019, sendo destinatária de RS 15.342.456.82 empenhados e R$ 14.753.342.91 liquidados e pagos", escreve a PF.

Em 2020, a Liga Engenharia seguiu na 5ª colocação, recebendo R$ 20.895.914,99. "Em 2021, a empresa caiu para a 6ª colocação, mas ainda recebeu empenhos e pagamentos em valor maior que no ano anterior, em importes de respectivamente R$ 29.226.167.82 e R$ 29.220.121.94", continua o documento.

No ano seguinte, ela seguiu na sexta colocação, com pequena redução nos valores, com pagamento de R$ 27.599.438,84.

"Houve uma nova diminuição em 2023 (ano em que Fernando Bezerra Coelho deixou o Senado Federal), com a permanência na 6ª colocação e a realização de empenhos e pagamentos no valor de R$ 18.989.039, 32".

Continua a polícia: "Por fim, em 2024, a Liga Engenharia Ltda é a 1ª colocada entre os fornecedores do Município de Petrolina, com empenhos no montante de R$ 55.131.318,63 e pagamentos que alcançaram R$ 55.026.577,41".

Parentesco

Até o início da investigação, a Liga Engenharia não havia prestado serviço para nenhum outro município pernambucano, além de Petrolina, sem também prestar qualquer serviço ao município nas gestões anteriores.

Miguel Coelho tomou posse na Prefeitura de Petrolina em 2017. Foi reeleito em 2020 e permaneceu no mandato até 30 de março de 2022, quando renunciou para concorrer ao Governo do Estado. A partir daí, assumiu a prefeitura o vice Simão Durando, que se reelegeu em 2024.

A Liga Engenharia tem como sócios Pedro Garcez de Souza e Fabrício Pontes Ribeiro Lima.

Um dos sócios é filho do cunhado de Fernando Bezerra Coelho e enteado da irmã do ex-senador. O outro é cunhado do sobrinho do ex-senador.

"Fontes abertas evidenciam a proximidade de Miguel Coelho com a família de Pedro Garcez, tendo inclusive comparecido ao casamento da irmã dele com o seu primo Carlos Alberto Coelho Oliveira Neto, ocorrido em dezembro de 2017, em Salvador/BA", diz outro trecho da representação.

A investigação também identificou que o Posto Petrolina Ltda recebeu valores milionários da Liga Engenharia. O posto pertence à família de Lara Secchi Coelho, esposa de Miguel Coelho. Lara também já figurou no quadro de sócios do posto.

A partir da análise dos dados bancários, constatou-se que os valores pagos pelo município à Liga Engenharia Ltda mais do que dobraram de maio de 2018 para junho de 2018, mesmo período em que os valores pagos pela empresa ao posto triplicaram.

"Alvo principal é o crescimento de Petrolina"

Em nota, os irmãos Miguel Coelho e Fernando Filho afirmam que as emendas alvo da operação transformaram o município de Petrolina, "que foi o que mais cresceu no Nordeste na última década".

"Impossível não destacar o viés político desse tipo de operação", acrescenta o posicionamento. Confira a nota na íntegra:

Na manhã desta quarta-feira (25) o Estado de Pernambuco foi surpreendido com uma operação cujo alvo principal é o crescimento da cidade de Petrolina.

A petição do STF para tudo o que vimos hoje, apresenta como motivação emendas parlamentares destinadas durante o mandato de Fernando Bezerra Coelho e Fernando Filho, para a nossa terra, emendas estas que transformaram o município, que foi o que mais cresceu no Nordeste na última década, com a melhor qualidade de vida, indicadores educacionais e desenvolvimento humano. Com a convicção que nossa força política é fundamental neste processo, reafirmamos que iremos continuar lutando para que mais recursos cheguem à cidade. Petrolina não vai parar de crescer e nem voltar ao passado.

Por meio da decisão do Ministro Flávio Dino, constatou-se que alguns fatos já foram objeto de apuração pelo STF com o consequente arquivamento (INQ 4513). Segundo consta na decisão do Ministro, a PGR manifestou-se contra as medidas postuladas pela polícia federal.

Impossível não destacar o viés político desse tipo de operação, uma vez que jamais deixamos de prestar quaisquer informações aos órgãos de controle, sejam estaduais ou federais. As contas de Petrolina, aliás, estão devidamente regulares e aprovadas.

Seguimos com tranquilidade e confiantes na Justiça brasileira.

Nossa luta política não será abalada por perseguições de onde quer que elas venham.

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