Disputa pelo governo e vai gerar impacto nas bancadas da Alepe
Deputados e deputadas estaduais, atualmente, estão divididos em três blocos na Alepe, com 17 na esquerda, 26 direita e 6 no centro
Publicado: 25/01/2026 às 22:00
Plenário da Alepe (Blog Dantas Barreto)
A possível disputa entre Raquel Lyra e João Campos pelo Governo de Pernambuco em 2026 tende a reorganizar o comportamento dos partidos e das bancadas na Assembleia, segundo Bhreno Vieira, “em torno de dois grandes projetos políticos”. Para ele, a polarização faz com que o Legislativo também se torne uma arena eleitoral.
“A eleição para deputado estadual passa a estar fortemente vinculada à eleição para governador”, destaca. “Partidos e candidatos proporcionais tendem a se alinhar ao projeto que consideram mais competitivo, buscando palanque, apoio político e transferência de votos”, completa.
Hoje, de acordo com Bhreno, a correlação de forças na Alepe é relativamente equilibrada. “Se dividimos em 3 blocos: a esquerda tem 17 parlamentares, o centro possui 6 e a direita possui 26 deputados”, detalha. Apesar disso, ele ressalta que a base governista não é coesa. “Muitos parlamentares votam de modo contrário ao governo a depender do assunto, enquanto a oposição tem mostrado capacidade de articulação e vocalização”.
O especialista Alex Ribeiro analisa que essa polarização pode redesenhar o equilíbrio interno da Casa após o pleito. “A possível polarização entre Raquel Lyra e João Campos reorganiza o campo político. As candidaturas proporcionais passam a acompanhar essa divisão”, afirma.
Para os especialistas, a força parlamentar será decisiva para a governabilidade no próximo mandato. “A composição da Casa será decisiva para a governabilidade em 2027”, afirma Alex Ribeiro. Priscila Lapa reforça que não se pode olhar apenas para a eleição majoritária. “A gente não pode desconsiderar o peso das eleições proporcionais na composição dessas alianças, na formação das chapas e na decisão política que os partidos tomam sobre os seus rumos”.
Ela lembra ainda que o cenário atual reflete uma mudança estrutural na relação entre Executivo e Legislativo no Brasil. “Hoje o legislativo ocupa um protagonismo muito maior do que décadas atrás”, afirma, destacando o avanço do Parlamento sobre o orçamento e a agenda política.