Delegados da PF apontam cenário "manifestamente atípico" em inquérito sobre Master
Em nota, associação afirmou que prerrogativas da classe "vêm sendo indevidamente mitigadas" na investigação do caso do Banco Master sob relatoria do ministro Dias Toffoli
Publicado: 17/01/2026 às 20:03
Fachada do Banco Master ( Rovena Rosa/Agência Brasil)
Delegados da Polícia Federal (PF) se dizem altamente "preocupados" com o andamento do inquérito sobre o caso Master em razão de "indícios" de que prerrogativas da classe "vêm sendo indevidamente mitigadas". Em nota divulgada neste sábado (17) a classe reage ao cenário "manifestamente atípico" na investigação sob relatoria do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo o grupo, tal contexto causa "legítima perplexidade institucional".
A manifestação é assinada pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, que diz esperar que a PF e o Supremo Tribunal Federal possam "restabelecer uma atuação institucional harmônica, cooperativa e estritamente balizada pelo ordenamento jurídico". A nota não cita diretamente Toffoli, mas faz referência a decisões do magistrado.
Os delegados destacam que, no bojo da investigação sobre o caso Master, foram determinadas acareações e "prazos exíguos para buscas e apreensões e inquirições". Segundo o grupo, tais procedimentos se dão "à margem do planejamento investigativo estabelecido pela autoridade policial".
Em dezembro, Toffoli chegou a marcar uma acareação entre o Banco Central, o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Ao fim, o representante do BC foi dispensado do procedimento. Além disso, Toffoli externou mal-estar com a PF e atribuiu a corporação "inércia" na abertura da segunda etapa da Operação Compliance Zero.
A nota dos delegados de Polícia Federal menciona ainda determinações sobre o encaminhamento de materiais para "outros órgãos" e a escolha nominal de peritos para a realização de exames nos objetos apreendidos com os alvos da Compliance Zero.
Tal indicação, por sua vez, faz referência a uma série de decisões de Toffoli: inicialmente o ministro determinou que os objetos apreendidos na segunda etapa da ofensiva fossem encaminhados ao STF; depois, houve um recuo, com a determinação de remessa dos objetos à procuradoria-Geral da República; ao fim foram escolhidos eritos para análise dos materiais. No entanto, segundo a ADPF, nem mesmo no âmbito interno da corporação, a designação de peritos ocorre por escolha pessoal ou nominal.
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Nesse contexto, os delegados sustentam "afronta às prerrogativas legalmente conferidas" à classe para "para a condução técnica, imparcial e eficiente da investigação criminal". O grupo sustenta ainda que tal cenário compromete inclusive a "adequada e completa elucidação dos fatos em apuração".
A nota divulgada pela ADPF ressalta que ao STF "compete o exercício da jurisdição constitucional", enquanto aos delegados "incumbe a condução da investigação criminal". A manifestação rememora a atuação conjunta da PF e do STF em investigações anteriores, com a produção de "incumbe a condução da investigação criminal". Também saiu em defesa das investigações conduzidas pela corporação, assentadas em "protocolos técnicos consagrados".