Netflix Estupro é tema de Inacreditável, nova série da Netflix

Por: Adriana Izel - Correio Web

Publicado em: 12/09/2019 08:55 Atualizado em:

Com inspiração em livro, a produção acompanha a investigação de uma série de estupros ocorridos entre 2008 e 2011 nos EUA. Foto: Beth Dubber/Netflix
Com inspiração em livro, a produção acompanha a investigação de uma série de estupros ocorridos entre 2008 e 2011 nos EUA. Foto: Beth Dubber/Netflix
Inacreditável, de fato, é a melhor palavra para definir a história da norte-americana Marie, que dá origem a minissérie que estreia amanhã no catálogo da Netflix. A produção, que tem oito episódios, conta o que aconteceu com a jovem em 2008 e como um erro de interpretação no caso da estadunidense fez com que um estuprador em série continuasse a cometer crimes sexuais nos Estados Unidos. A minissérie tem base no livro Falsa acusação: Uma história verdadeira, dos jornalistas Christian Miller e Ken Armstrong, dupla que investigou o fato para uma série de reportagens veiculadas em 2015 nos sites Pro Publica e Marshall Project,  que depois deu origem ao livro, publicado pela Editora Leya no Brasil.

Em 2008, quando tinha acabado de completar 18 anos, Marie, que na minissérie é vivida pela atriz Kaitlyn Dever e ganha o sobrenome de Adler (já que na reportagem e no livro ela é identificada apenas pelo nome do meio — o que ela autorizou —, como forma de preservação da identidade, comum em casos de abuso), foi estuprada dentro de casa em Lynwood, no estado de Washington, nos Estados Unidos. Ela foi amarrada com cadarços do próprio tênis, abusada sexualmente, fotografada nua em várias posições, obrigada a tomar um banho de 20 minutos pelo estuprador — em uma tentativa de retirar qualquer resquício de material humano que pudesse ser identificado pela polícia — e abandonada. Logo após conseguir se soltar, ela ligou para a emergência policial.

Não bastasse a violência sexual sofrida e o trauma causado pelo fato, a partir do momento em que denunciou o crime, Marie viveu um verdadeiro calvário. Teve que depor cinco vezes para as autoridades, entre policiais, detetives e enfermeiros. Sem analisar os dados coletados do corpo de Marie após o estupro, a polícia de Lynwood resolveu acatar uma dúvida da mãe adotiva da jovem e pressionar a garota sobre estar inventando o fato “para chamar atenção”. Cansada de tudo que estava acontecendo, Marie decidiu dizer que não passava de uma mentira. Sem avançar na investigação, o caso foi arquivado, e a vítima chegou a ser processada pelo estado por calúnia. Só anos depois, por conta de uma investigação conjunta entre municípios americanos, a polícia descobriu que Marie havia sido uma das jovens vítimas de um estuprador em série, Marc Patrick O’Leary, um militar veterano de guerra que cometeu crimes sexuais entre 2008 e 2011 nos arredores de Denver e Seattle, nos Estados Unidos.

Como forma de mostrar as fragilidades recorrentes em investigações de casos de abusos sexuais e dar voz especificamente à história de Marie, os jornalistas Christian Miller e Ken Armstrong passaram a investigar a história. Primeiramente cada um sozinho, até que a dupla uniu forças para escrever a matéria em conjunto, mesmo que para veículos diferentes. A reportagem, além de colocar luz sobre o caso, garantiu aos repórteres o Prêmio Pulitzer e a publicação de Falsa acusação: Uma história verdadeira, obra de 336 páginas, com relatos de detetives, policiais, vítimas e até do próprio estuprador, que inspirou a nova minissérie da Netflix.
 


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