ELEIÇÕES 2018

Em último debate, presidenciáveis pedem voto sem 'ódio ou medo' e criticam polarização de Bolsonaro e PT

Debate da Rede Globo acontece a três dias da eleição e conta com a presenta de Ciro Gomes (PDT), Álvaro Dias (Pode), Marina Silva (Rede), Fernando Haddad (PT), Henrique Meirelles (MDB), Geraldo Alckmin (PSDB) e Guilherme Boulos (Psol)

Publicado em: 05/10/2018 01:00 | Atualizado em: 05/10/2018 01:11

(foto: Reprodução/ TV Globo) ((foto: Reprodução/ TV Globo))
(foto: Reprodução/ TV Globo) ((foto: Reprodução/ TV Globo))
O último debate entre os candidatos à presidência da República começou com apelos dos candidatos Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) para que os eleitores não se deixem influenciar pelo "medo ou pelo ódio" na votação do primeiro turno, indicando que o voto nos líderes das pesquisas de intenção de voto – Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) – poderá manter o clima de polarização na política brasileira. 
 
Ciro relembrou o clima hostil entre Dilma Roussseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) na campanha de 2014 e o reflexo da disputa nos anos seguintes. "Vamos repetir essa história, e será que o eleito vai conseguir governar?", questionou Ciro. Marina Silva lamentou o clima de polarização e afirmou que o momento é propício para uma mudança no cenário político. "Vivemos uma guerra em que alguns estão votando por medo em Bolsonaro e outros por medo em Haddad", disse Marina. 

Os candidatos Geraldo Alckmin (PSDB) e Fernando Haddad trocaram acusações sobre a crise econômica do Brasil, cada um atribuindo ao partido do adversário a culpa pelos problemas. O tucano citou "equívocos econômicos da gestão petista" e questionou se Haddad pretende manter o "modelo petista de governar". 

O petista rebateu dizendo que a crise econômica foi resultado da aliança entre PSDB e o governo Michel Temer (MDB), que não aceitaram o resultado das eleições de 2014. "Depois que o candidato do PSDB foi derrotado, o PSDB se associou ao Temer para sabotar o governo, aprovando pautas bombas", disse Haddad. 

Álvaro Dias (Pode) afirmou que trouxe uma pergunta endereçada ao ex-presidente Lula e pediu para que Haddad entregasse ao petista, "já que você visita ele toda segunda-feira". O candidato afirmou que as denúncias do ex-ministro Antonio Palocci e a operação Lava-Jato, citando que a corrupção "é o pior problema do país". Henrique Meirelles (MDB) lembrou os problemas do governo de Fernando Collor, citando que o ex-presidente se apresentava como "salvador da pátria". "O momento do Brasil exite experiência e alguém que tenha condições de administrar o país", afirmou Meirelles, citando sua passagem pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central. 

O candidato Guilherme Boulos (Psol) questionou Alckmin sobre as reformas trabalhistas aprovadas no governo Temer com "apoio do PSDB" e prometeu, caso eleito, um governo que volte a priorizar os direitos dos trabalhadores. Haddad e Boulos fizeram dobradinha para criticar o candidato Jair Bolsonaro, citando os problemas do período da ditadura, indicando que a eleição do capitão reformado do Exército seria um "retrocesso para o país". 

"Essa turma do ódio do Bolsonaro é também da perda dos direitos. O vice dele disse que o 13º salário e as férias não deveria existir", afirmou Boulos. O petista afirmou que tanto Bolsonaro, quanto Alckmin e Meirelles são representantes do governo Temer na eleição. 

Segundo bloco

No segundo bloco, os candidatos fizeram perguntas aos adversários com temas pré-definidos. Guilherme Boulos perguntou para Geraldo Alckmin sobre as desonerações feitas em São Paulo que teriam beneficiado empresários e voltou a criticar a reforma trabalhista aprovada durante o governo Temer. 

"Vocês do PSDB apoiaram uma reforma que coloca grávidas para trabalhar em local insalubre", afirmou Boulos. O tucano afirmou que a reforma não retirou direitos, mas concordou que a questão das mulheres grávidas precisa ser regulamentada e corrigida. Alckmin defendeu ainda a reforma tributária para a retomada do crescimento econômico: "O Brasil é um país caro, a reforma tributária para mudar o cenário de imposto demais onerando os empresários e trabalhadores. Para isso mudar é preciso não eleger nem o PT nem o Bolsonaro, eles não vão resolver a crise e sim agravar a crise", afirmou o tucano. 

Marina Silva também discutiu a questão trabalhista com Henrique Meirelles, criticando o governo Michel Temer: "Você (Meirelles) aprovou uma reforma que prejudicou o direito dos trabalhadores, criaram relações pré-modernas de trabalhos, com mulheres grávidas em condições insalubres". 

O candidato do MDB também foi alvo de críticas de Álvaro Dias, que ao comentar sobre os desafios para a saúde, afirmou que a gestão Temer fracassou no governo. "Para melhorar a saúde em primeiro lugar é preciso não roubar. Em segundo, ter competência na gestão. E vocês não tiveram. O senhor estava lá e não fez isso", disse Dias. 

O clima esquentou no debate quando o candidato Álvaro Dias perguntou Fernando Haddad sobre a situação da Petrobras, citando que o PT "assaltou" a estatal. "Vocês são uma brincadeira governando. A Petrobras foi assaltada e pilhada pelo PT nos últimos anos", disse Dias. O petista afirmou que foi graças ao governo petista que a estatal conseguiu multiplicar seu valor de mercado e afirmou que os aliados de Temer estão entregando para empresas americanas as riquezas do pré-sal. "Graças a investimentos nós achamos o pré-sal, nosso passaporte para o futuro. Agora vamos fazer vocês pararem de vender essa riqueza aos americanos", afirmou Haddad.  

Ao abordar o tema do combate às drogas, Ciro Gomes alfinetou novamente Bolsonaro, citando que o discurso agressivo do candidato para tratar da violência não vai resolver o problema da segurança pública do Brasil. "As ações da Taurus, fábrica de armas, aumentaram 180% e, com a evolução dele nas pesquisas, têm várias pessoas da turma do Bolsonaro ganhando muito dinheiro em cima de um discurso do candidato que fala das armas toda hora", afirmou Ciro. 

Guilherme Boulos também criticou as propostas de Bolsonaro e afirmou que o tráfico de drogas está mais ligado aos poderosos do que aos pobres. "O comando do crime organizado está mais perto dos três poderes em Brasília. A droga não nasce no morro", afirmou o candidato do Psol. 

Terceiro bloco

No terceiro bloco os candidatos voltaram a trocar perguntas entre si com temas livres. Marina Silva criticou Bolsonaro por não comparecer ao debate: "Bolsonaro mais uma vez amarelou, está dando entrevista na Record e não está aqui hoje debatendo conosco", A candidata da Rede questionou Haddad sobre a "dificuldade do PT em fazer uma autocrítica sobre os erros no governo" e citou que 50% dos eleitores não querem nem PT nem Bolsonaro. O candidato do PT afirmou que já fez autocrítica sobre erros cometidos pelo partido, mas que o projeto de governo deu certo e o ex-presidente Lula deixou o Palácio do Planalto com 86% de aprovação. 

Boulos e Meirelles trocaram alfinetadas ao falar sobre o desemprego no Brasil. O candidato do MDB afirmou que durante o governo Lula trabalhou pela criação de 20 milhões de emprego e no governo temer atuou para tirar o país da crise. O candidato do Psol atacou o ex-ministro de Temer, dizendo que os resultados de seu governo foram "desastrosos": "Você falar em trabalho é algo muito estranho, porque banqueiro não trabalha", afirmou Boulos. 

Em dobradinha, Ciro e Meirelles criticaram as falas dos candidatos a vice-presidente de Bolsonaro, general Hamilton Mourão, e de seu indicado para o ministério da Fazenda, o economista Paulo Guedes: "Um defende o fim do 13º salário e as férias, o outro afirma que vai voltar com a CPMF. Bolsonaro vê a repercussão dessas coisas todas e nega para a imprensa. É uma mentira que ele precisava vir aqui para esclarecer. O general Mourão, tosco como é, parece falar com sinceridade", afirmou Ciro. Meirelles afirmou que um governo de Bolsonaro seria um risco para o país. "Não vai dar certo. E não acredito que o povo brasileiro vai embarcar nessa aventura. O Brasil não pode correr esse tipo de risco", disse Meirelles. 

Geraldo Alckmin perguntou para Marina Silva sobre as ações do governo federal para combater a violência e citou dados de sua gestão no governo paulista. "Nós reduzimos de 13 mil para 3 mil homicídios por ano, são 10 mil vidas salvas por ano em São Paulo", afirmou o tucano. Marina ressaltou que o problema da violência se espalhou pelos outros estados e prometeu um programa nacional de combate às organizações criminosas. " Facções como o PCC estão indo para estados que não têm a menor condição de lidar com esse tipo de crime. Nosso proposta é de um sistema único de segurança pública e investir em inteligência para combater o crime organizado", disse Marina.   

 

 

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