Diario de Pernambuco
Diario de Pernambuco
Notícia de Brasil

SITUAÇÃO

Brasil tem 7 milhões de informais no grupo de risco da Covid-19

Por: FolhaPress

Publicado em: 26/03/2020 12:09

Sete milhões de brasileiros eram parte de um grupo duplamente vulnerável à crise do coronavírus, sob a ótica da realidade brasileira em 2013 (último ano para o qual há dados disponíveis).

Do lado econômico, trabalhavam como autônomos; no âmbito da saúde, tinham doenças crônicas, que aumentam os riscos em caso de infecção.

O número foi estimado pelo IEPS (Instituto de Estudos para Políticas de Saúde), que tem entre seus fundadores o economista e ex-presidente do Banco Central, Arminio Fraga.

"Os resultados mostram que essa sobreposição existe e é grande. Sete milhões de pessoas é mais do que a população atual da Dinamarca [5,8 milhões]", diz o economista Rudi Rocha, diretor do IEPS.

O universo representa 4% da população economicamente ativa brasileira (com idade igual ou superior a 18 anos).

O estudo se baseou em dados da Pesquisa Nacional de Saúde do IBGE e tem ainda, como coautores, Beatriz Rache, Letícia Nunes e Miguel Lago.

Rocha ressalta que, embora não sejam recentes, os dados oferecem um retrato que deve ter permanecido condizente com a realidade brasileira. Nos últimos anos, na esteira da recessão, seguida de lenta recuperação, o número de brasileiros atuando na informalidade aumentou bastante.

Mais da metade dos 7 milhões de autônomos portadores de doenças crônicas possuíam só o ensino fundamental e seu rendimento mensal com o trabalho (em valores atualizados de 2019) era de R$ 1.713.

As enfermidades consideradas na análise foram hipertensão, diabetes, insuficiência renal e doenças no pulmão.

"Não há dúvida que essa é uma parcela da população muito vulnerável à crise atual. São pessoas que precisam sair para trabalhar, embora tenham a saúde frágil", diz.

Uma evidência disso é que 14% relataram ter precisado se afastar temporariamente do trabalho em um período anterior próximo à pesquisa; 53% disseram considerar sua saúde regular ou ruim.

A vulnerabilidade socioeconômica do grupo ainda é reforçada pelo fato de que apenas 22% possuíam plano de saúde.

A grande sobreposição entre vulnerabilidade em saúde e no mercado de trabalho demanda, segundo especialistas, que o governo tome medidas voltadas especificamente para proteger esse grupo na crise.

Evidências mostram que a Covid-19 é muito mais letal entre idosos e portadores de doenças crônicas.

O estudo do IEPS indica que o número de idosos entre os conta própria também é elevado: em 2013, representava 2% da população economicamente ativa (cerca de 3,5 milhões de brasileiros).

Embora o governo tenha falado sobre a necessidade de proteger esses grupos, especialistas sentem falta de medidas efetivas nessa direção. "A largada no anúncio de medidas só contemplava o setor formal", diz Rocha.

"A equipe econômica tem nos dito, em conversas, que virão medidas. Estamos esperando", afirma Tony Volpon, economista-chefe do UBS.

"Para muitos desses trabalhadores informais e pequenas empresas, daqui a um mês será tarde demais". Volpon afirma que a magnitude da crise requer, além de rapidez, criatividade e planejamento.

Uma dificuldade que o governo enfrentará será o mapeamento dos informais; só parte deles está nos cadastros de beneficiários de programas sociais.
Os comentários abaixo não representam a opinião do jornal Diario de Pernambuco; a responsabilidade é do autor da mensagem.

Mais lidas

mais lidas

Barrados na quarentena   o drama de quem não pode ficar em casa durante a pandemia
Resumo da semana: amor na pandemia, confinamento rastreado e mortes por Covid-19 em Pernambuco
Coronavírus: Como fica a distribuição de merendas na rede municipal do Recife
#FicaemcasacomODiario: Igor de Carvalho
Galeria de Fotos
Grupo Diario de Pernambuco