Trump diz estar perto de acordo de paz na guerra da Ucrânia
A declaração foi feita após uma reunião na Casa Branca com Kirill Dmitriev, enviado especial do presidente russo
Publicado: 06/11/2026 às 17:49
Enviado russo Kirill Dmitriev e primeira dama Melania Trump. ( Foto: SAUL LOEB / AFP)
O presidente dos Estados Unidos Donald Trump disse que está muito próximo de fechar um amplo acordo para pôr fim à guerra na Ucrânia e que o entendimento poderá abranger ainda toda a Europa.
A declaração de Trump foi feita após uma reunião na Casa Branca com Kirill Dmitriev, enviado especial do presidente russo. "Acho que estaremos muito perto de resolver a questão Rússia-Ucrânia. Será um acordo, um grande acordo, e envolverá mais do que apenas a Ucrânia", afirmou Trump, acrescentando que poderá incluir toda a Europa, mas não detalhou aos jornalistas na Sala Oval a sua conversa com Dmitriev.
A conversa de Trump com Dmitriev também aconteceu no mesmo dia em que o enviado e genro, Jared Kushner, se reuniu em Bruxelas com autoridades ucranianas, da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) NATO e europeias para discutir o que classificou de "garantias de segurança para a Ucrânia e uma arquitetura de segurança europeia mais ampla".
O líder norte-americano, no entanto, indicou que não se encontrou com as autoridades da Ucrânia que também se encontravam de visita ao local. Os representantes de ambos os países estiveram na Casa Branca para um evento em homenagem ao trabalho da primeira-dama dos EUA, Melania Trump, na mediação de uma trégua humanitária na cidade ucraniana Oleshky, ocupada por forças russas.
"Temos agora de mostrar a coragem que mostramos em Oleshky para encontrar um terreno comum. Juntos, podemos construir algo mais duradouro do que apenas um cessar-fogo temporário. A vida de pessoas inocentes deve transcender a divisão da guerra. Espero que Oleshky inspire uma paz maior", disse Melania.
Ambas as delegações reconheceram o papel essencial da primeira dama na trégua e todas as partes transmitiram a gratidão dos presidentes da Rússia e da Ucrânia.
A trégua, que durou seis dias e terminou na noite de domingo, permitiu a retirada de residentes desta cidade situada na linha da frente na região de Kherson, com acesso minado e sob fogo cruzado de drones russos e ucranianos, que a deixaram durante meses com graves carências.
Moscou garante desconhecer proposta dos EUA
O Kremlin afirmou hoje que ainda não tem conhecimento das propostas sobre a nova arquitetura de segurança para a Europa apresentadas por Trump, após se ter reunido em Washington com Dmitriev.
"No que diz respeito a algumas ideias dos europeus, não as recebemos, desconhecemo-las. Tratando-se do futuro sistema de segurança no continente, é claro que, sem os europeus, em algum momento essa questão será impossível" de abordar. "Por isso, é necessária uma conversa com os europeus. Mas, como todos vemos, de momento nem sequer são capazes de decidir quem pode falar em seu nome", declarou Dmitri Peskov, porta-voz presidencial.
Peskov ainda apontou que Moscou percebe uma indecisão prolongada e uma falta de vontade por parte dos ministérios europeus das Relações Exteriores.
Por sua vez, a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, sublinhou hoje que o presidente russo, Vladimir Putin, não tem poder de veto sobre as questões relacionadas com a segurança europeia, e a Ucrânia deve ser plenamente integrada na arquitetura de segurança da Europa. "Já temos uma arquitetura de segurança europeia em vigor. A OTAN e a União Europeia têm, ambas, os seus respectivos papéis. Temos de garantir que a Ucrânia é integrada nesta arquitetura", afirmou em Varsóvia, numa declaração conjunta com o chanceler polonês, Radosaw Sikorski, e o ministro ucraniano das Relações Exteriores, Andrii Sybiha.
Kallas acrescentou que a UE deve desempenhar um papel na negociação de qualquer acordo de paz e defendeu que os ataques híbridos e atos de sabotagem da Rússia contra a Europa têm de parar.
Já o porta-voz do governo da Alemanha avançou que o chanceler alemão Friedrich Merz e o presidente dos EUA, Donald Trump, tiveram uma conversa por telefone para debater a guerra na Ucrânia e as próximas negociações agendadas em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. "O chanceler está envolvido nas deliberações do presidente dos EUA", confirmou o porta-voz.
Zelensky pede ajuda urgente na Espanha
Na Espanha, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, pediu apoio internacional para reparar o sistema energético ucraniano, revelando que os ataques russos com mísseis e drones danificaram a totalidade das centrais elétricas do país. Zelensky, que se reuniu com o rei Felipe VI e com o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, alertou para a urgência de restabelecer a rede elétrica antes da chegada do inverno.