Movimento de estudantes na Sérvia conquista vitória histórica contra ex-presidente
O movimento de protesto derrotou o ex-presidente do país, Aleksandar Vui, do Partido Progressista Sérvio (SNS), que disputava o cargo de primeiro-ministro
Publicado: 26/10/2026 às 20:25
Apoiadores de chapa que concorre nas eleições gerais na Sérvia, em ato no centro de Belgrado, na Sérvia. (Sava Miric / AFP)
Os resultados das eleições legislativas antecipadas na Sérvia, realizadas neste domingo (25), deram vitória com maioria absoluta à "Lista Estudantil - Os Estudantes Vencem". O movimento de protesto derrotou o ex-presidente do país, Aleksandar Vui, do Partido Progressista Sérvio (SNS), que disputava o cargo de primeiro-ministro.
O movimento constituído pelos estudantes apresentou uma lista composta por candidatos provenientes de diversos segmentos da sociedade sérvia. O grupo anticorrupção atraiu eleitores em todo o país contrários ao atual governo.
Vui, líder populista de direita e nacionalista, reconheceu a derrota em um pleito que registrou a maior participação em eleições legislativas no país em mais de 30 anos, com quase 70% de comparecimento. Projeções apontam que a "Lista Estudantil – Os Estudantes Vencem" conquistou cerca de 53% dos votos.
As celebrações tomaram conta do país em uma conquista considerada histórica. Houve comemorações nas cidades, com queima de fogos de artifício e população nas ruas entoando gritos de “Vitória” e “A Sérvia está livre”. O principal candidato da chapa, o cardiologista Ilija Srdanovi, declarou que a Sérvia será um Estado livre e que o objetivo do movimento foi libertar o país da tirania.
Apesar do clima de festa, foram relatados diversos incidentes violentos durante a votação em todo o país, incluindo agressões a jornalistas, observadores eleitorais e cidadãos.
Anos de protestos
O movimento estudantil buscava derrotar o grupo político de Vui, no poder desde 2012, após quase dois anos de intensas manifestações contra o governo. Os protestos começaram no final de 2024, após o desabamento da cobertura da estação ferroviária de Novi Sad, segunda maior cidade da Sérvia, que deixou 16 mortos. O acidente foi atribuído à corrupção e à falta de fiscalização do poder público.
O episódio desencadeou a maior onda de mobilização popular no país desde a queda do regime de Slobodan Miloevi, no ano 2000.
Trajetória de Aleksandar Vui
Aleksandar Vui cumpriu dois mandatos como presidente da República e não podia disputar uma reeleição consecutiva para o cargo. Diante disso, renunciou à Presidência para liderar a campanha do SNS com o objetivo de retornar ao posto de primeiro-ministro, ocupado por ele até 2017.
O político também atuou como ministro da Informação da Iugoslávia sob o regime de Miloevi, entre 1998 e 2000. Durante a gestão, implementou leis restritivas à liberdade de imprensa, aplicou multas a jornalistas independentes e tirou do ar redes de televisão estrangeiras. Foi nesse período, em julho de 1995, como dirigente do Partido Radical Sérvio, pouco antes de assumir o ministério, que proferiu declarações nacionalistas extremas relacionadas ao massacre de Srebrenica. Anos mais tarde, rompeu com o grupo radical e fundou, em 2008, o pró-europeu Partido Progressista Sérvio (SNS).