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ONU: Mundo caminha para aquecimento de 2,6 °C neste século

Mesmo que os países cumpram integralmente seus compromissos climáticos, as temperaturas globais podem continuar aumentando, alerta a ONU

AFP

Publicado: 21/10/2026 às 15:52

Sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York/Daniel Slim/AFP

Sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York (Daniel Slim/AFP)

Os compromissos globais para reduzir as emissões que aquecem o planeta estão muito abaixo das metas climáticas de Paris e colocaram o mundo no caminho de um aquecimento de 2,6 °C neste século, anunciado pela ONU nesta quarta-feira (21).

O relatório anual do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) sobre emissões evidencia uma divisão entre o discurso e a ação para enfrentar o aquecimento global. Mesmo que os países cumpram integralmente seus compromissos climáticos mais recentes, as temperaturas globais podem continuar aumentando 2,6 °C acima dos níveis pré-industriais até o ano de 2100, segundo o estudo.

Isso superaria muito a meta histórica do Acordo de Paris, tratado global sobre mudança climática que coloca o aquecimento bem abaixo de 2 °C, ao mesmo tempo em que se busca um limite mais seguro de 1,5 °C.

Segundo o Relatório sobre a Lacuna de Emissões (Emissions Gap Report 2026), qualquer possibilidade de manter o nível de 1,5 °C foi "perdida" por décadas de ações insuficientes.

"Inundações mortais, ondas de calor brutais, incêndios florestais devastadores, vidas perdidas, economias paralisadas, desigualdades cada vez mais profundas, e aquelas que têm menos responsabilidade são os que sofrem primeiro e com maior intensidade", alertou o secretário-geral da ONU, António Guterres, em comunicado.

Em termos gerais, as emissões globais de gases de efeito estufa em 2025 mantiveram-se praticamente no mesmo nível dos registos de 2024, com uma diferença entre os dois anos pequena demais para ser distinguida, segundo o relatório.

Nenhum país está a salvo

Os cientistas alertaram que cada fração adicional de grau acima de 1,5 °C aumenta os extremos meteorológicos e a probabilidade de mudanças irreversíveis no planeta. O mundo já aqueceu aproximadamente 1,4 °C em relação à era pré-industrial e espera-se que o limite de 1,5 °C seja superado em questão de anos.

A perspectiva do Pnuma piorou em relação ao ano passado devido à retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris e às revisões para cima das emissões históricas, destacou a coautora do estudo, Anne Olhoff.

Entre os seis principais emissores do mundo, os dados preliminares para 2025 mostraram aumentos nos Estados Unidos, na Indonésia e na China, e reduções na Índia, na Rússia e na União Europeia.

Em termos de magnitude, o aumento de 133 megatoneladas de CO2 equivalente nos Estados Unidos "superou de longe" ou de qualquer outro país, impulsionado por uma maior demanda de eletricidade e pela geração de energia a carvão.

O segundo maior aumento foi registrado na Turquia, país que sediará a cúpula climática da ONU de 9 a 20 de novembro. A secretária executiva da Pnuma, Inger Andersen, disse aos jornalistas que nenhum país está a salvo das mudanças climáticas, "incluindo os Estados Unidos".

"Fracasso histórico"

O relatório detalha um cenário com 50% de probabilidade de redução do aquecimento global a 1,5 °C até 2100.

Para isso, é necessário atingir um máximo de 1,8 °C em 2050 e remover grandes quantidades de dióxido de carbono da atmosfera. Isso pressupõe cortes imediatos nas emissões de 6% ao ano, todos os anos, até 2035.

Alguns países em desenvolvimento vulneráveis às mudanças climáticas acusaram os maiores emissores de abandonar as metas de Paris. Este relatório "é um novo sinal de alerta, mas os governos continuam apertando o botão de adiar", declarou à AFP Jasper Inventor, diretor adjunto de programas do Greenpeace Internacional.

"Este é um fracasso histórico da liderança política. A ciência tem sido clara há décadas, mas os governos optaram por adiar em vez de agir. As consequências serão medidas em vidas perdidas, não apenas em graus de aquecimento", afirmou Mohamed Adow, diretor do centro de estudos Power Shift Africa.

“Chegou o momento decisivo, aquele em que tudo está em jogo, é agora, e não mais tarde”, declarou Inger Andersen. Para isso, os países deverão “ampliar” os avanços já conquistados, destacou Anne Olhoff.

A capacidade mundial em energias renováveis cresceu três vezes mais rápido do que o previsto, e a implantação da energia solar fotovoltaica se multiplicou por sete.

Mas persistem obstáculos, em particular no que diz respeito aos combustíveis fósseis, onde "não observamos nenhum avanço à altura das exigências", destacou Olhoff, assim como na área de desmatamento.

“Não observamos que essa redução progressiva (das emissões e do uso de combustíveis fósseis) esteja ocorrendo no ritmo que deveria”, acrescentou Andersen em declarações à AFP. Por isso, ela insta todos os governos a acrescentar 5.000 gigawatts adicionais de energia renovável nos próximos cinco anos.

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