ONU alerta que novas tecnologias ameaçam sistemas globais de vigilância meteorológica
Interferências em radiofrequências essenciais podem comprometer a precisão de previsões do tempo e o envio de alertas de emergência, apontam OMM e UIT
Publicado: 28/09/2026 às 12:39
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, é visto em uma tela de TV enquanto discursa durante uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o conflito entre Israel e o Irã, na sede da ONU em Nova York, em 20 de junho de 2025. O chefe da agência nuclear da ONU defendeu na sexta-feira uma solução diplomática para pôr fim aos ataques de Israel ao Irã, afirmando que sua agência poderia garantir um monitoramento rigoroso em qualquer acordo que coloque a tecnologia nuclear iraniana sob controle internacional. (Foto de ANGELA WEISS / AFP) ( ANGELA WEISS / AFP)
A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou, nesta segunda-feira (28), que o avanço de novas tecnologias de comunicação pode colocar em risco as radiofrequências essenciais para as observações meteorológicas e o monitoramento do planeta. A advertência foi emitida conjuntamente pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) e pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agências especializadas das Nações Unidas.
Segundo as instituições, interferências de radiofrequência têm o potencial de prejudicar medições, reduzir a qualidade e a disponibilidade de dados ambientais e, consequentemente, comprometer a confiabilidade de previsões do tempo e de alertas de desastres. O aumento do uso do espectro por outros serviços — como redes móveis sem fio e transmissões via satélite — elevou substancialmente esse risco.
“Radares meteorológicos, radares de perfil de vento, radiossondas, redes de detecção de raios, observações aeronáuticas e marítimas e sistemas de monitoramento hidrológico dependem do acesso exclusivo a frequências específicas. Certos sensores medem sinais naturais em faixas exatas, o que torna vital proteger o sistema contra interferências prejudiciais”, destacou o comunicado das agências.
Reunião em Genebra e apelo aos governos
Especialistas dos dois organismos se reúnem esta semana, em Genebra, na Suíça, para discutir medidas de mitigação. A UIT e a OMM exortaram governos e órgãos reguladores nacionais a preservarem as faixas indispensáveis à meteorologia, asseguradas pelo Regulamento de Radiocomunicações da UIT.
“Prevenir interferências prejudiciais de radiofrequência é uma questão de segurança pública que salva vidas. Frequências protegidas permitem manter a precisão das previsões, a emissão em tempo hábil de alertas de emergência e a confiabilidade dos dados climáticos para que a população possa se preparar”, afirmou Doreen Bogdan-Martin, secretária-geral da UIT.
Embora a UIT estabeleça as diretrizes globais para a distribuição do espectro, cabe a cada país e às suas respectivas agências reguladoras nacionais gerenciar e autorizar a ocupação das frequências em seus territórios.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, reforçou que o espectro de radiofrequências é um recurso natural limitado e que a meteorologia depende de bandas específicas devido às propriedades físicas da atmosfera.
"Essas faixas precisam ser rigorosamente protegidas. Proteger as frequências que nos permitem observar a atmosfera significa proteger as previsões meteorológicas e os sistemas de alerta precoce dos quais cada país depende", concluiu Saulo.
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