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ACORDOS BILATERAIS

Brasil e Coreia do Sul fecham acordos em visita histórica de Lee Jae-Myung

Após 11 anos sem uma visita sul-coreana ao País, presidentes selam grupo de trabalho para destravar diversos acordos, inclusive com o Mercosul

Villanova Neto

Publicado: 27/07/2026 às 16:28

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião privada com o Presidente sul-coreano Lee Jae Myung/Ricardo Stuckert/PR

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante reunião privada com o Presidente sul-coreano Lee Jae Myung (Ricardo Stuckert/PR)

O presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-Myung, se reuniu nesta segunda-feira (27) com Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Alvorada, em Brasília, na primeira visita de Estado de um líder sul-coreano ao Brasil em 11 anos. O encontro resultou em uma série de compromissos concretos entre os dois países, de um novo grupo de trabalho para destravar um acordo comercial com o Mercosul até memorandos de cooperação em tecnologia e educação.

A visita também é inédita para Lee: é a primeira vez que ele e a primeira-dama, Kim Hye-kyung, vêm ao Brasil. A passagem dá continuidade à viagem que Lula fez a Seul em fevereiro, quando os dois países elevaram a relação bilateral ao status de Parceria Estratégica e assinaram o Plano de Ação 2026-2029, documento que orienta a cooperação entre os dois governos até o fim da década. O principal anúncio foi um caminho para destravar o acordo com o Mercosul.

O resultado mais concreto do encontro foi a criação de um grupo de trabalho bilateral para tentar destravar as negociações de um acordo comercial entre o Mercosul e a Coreia do Sul, conversas que se arrastam há anos sem sair do papel. A missão do grupo será mapear os pontos mais sensíveis para os dois lados e propor soluções. O vice-presidente Geraldo Alckmin foi designado por Lula para coordenar a equipe brasileira, enquanto Lee indicou um representante próprio para o lado sul-coreano.

Na área agropecuária, um avanço também foi confirmado. Após 17 anos de negociação, o Brasil vai receber, já no mês de agosto, uma missão sanitária sul-coreana, passo necessário para abrir as portas do mercado da Coreia aos frigoríficos brasileiros.

O volume de comércio entre os dois países somou cerca de US$ 11 bilhões em 2025, valor que Lula classificou como pequeno diante do peso das duas economias, mas com grande potencial de crescimento já em 2027, em razão dos acordos firmados no encontro desta segunda.

O Brasil já é o principal destino dos investimentos coreanos em toda a América Latina, além de a Coreia do Sul figurar como o quarto maior parceiro comercial do Brasil na Ásia. Do lado brasileiro, as exportações de produtos agropecuários para a Coreia somaram quase US$ 2,5 bilhões em 2025.

Tecnologia, defesa e espaço

Os dois países assinaram memorandos de entendimento em educação e tecnologia industrial, com o objetivo de aproximar universidades e empresas em áreas como semicondutores, economia digital, inteligência artificial e indústria aeroespacial. A cooperação em saúde, diagnósticos e medicamentos também foi citada como prioridade conjunta.

Na área de defesa, a escolha do cargueiro militar C-390 Millennium pela força aérea sul-coreana, fabricado pela Embraer, foi apontada como um símbolo da parceria. Já no setor espacial, a empresa coreana Innospace deve realizar um novo lançamento de foguete a partir da Base de Alcântara, no Maranhão, em setembro, com a presença confirmada pelo próprio presidente Lula no evento.

Diplomacia, cultura e um reconhecimento da Unesco

Lula usou parte da declaração para reforçar a estratégia de reaproximação do Brasil com a Ásia nos últimos anos, citando viagens recentes à China, Índia, Indonésia, Japão, Malásia e Vietnã, além da participação inédita do país, em nível presidencial, em uma cúpula da Asean.

O dia também trouxe uma notícia simbólica: a Unesco, reunida em Busan, na Coreia do Sul, reconheceu o Teatro Amazonas, em Manaus, e o Theatro da Paz, em Belém, como Patrimônio Mundial Cultural.

Próximos passos

Nesta terça-feira (28), Lee e a primeira-dama seguem para São Paulo, cidade que concentra a maior comunidade coreana do país, com mais de 50 mil pessoas. Na capital paulista, o presidente sul-coreano participa de um fórum empresarial e de uma sessão especial da Mostra de Cinema Coreano no Brasil, com a presença da primeira-dama Janja.

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