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GUERRA

Rebeldes houthis do Iêmen reivindicam ataque no Mar Vermelho

Reivindicação ocorreu no momento em que os Estados Unidos lançaram uma nova onda de bombardeios contra alvos militares iranianos

AFP

Publicado: 23/07/2026 às 07:38

O grupo rebelde dos Houthis, apoiado pelo Irã, controla grande parte do Iêmen/Foto: AFP

O grupo rebelde dos Houthis, apoiado pelo Irã, controla grande parte do Iêmen (Foto: AFP)

Os rebeldes houthis do Iêmen reivindicaram, nesta quarta-feira (22), os ataques contra dois navios petroleiros sauditas no Mar Vermelho, abrindo uma nova frente na guerra entre os Estados Unidos e o Irã, que continua a se expandir pela região.

A reivindicação ocorreu no momento em que os Estados Unidos lançaram uma nova onda de bombardeios contra alvos militares iranianos, na décima segunda noite consecutiva de ataques americanos ao Irã.

Além disso, o presidente Donald Trump ameaçou nesta quarta-feira destruir pontes e usinas de energia no Irã em resposta a qualquer ataque contra embarcações no Estreito de Ormuz, enquanto o Irã advertiu que dará uma "resposta contundente".

A ampliação das hostilidades aumenta a preocupação com o fornecimento de petróleo e gás devido ao bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz e ao cerco aos portos da Arábia Saudita anunciado pelos houthis, aliados do Irã.

O bloqueio elevou os preços do petróleo e aumenta a pressão sobre Trump para encontrar uma saída para o conflito antes das disputadas eleições legislativas de meio de mandato.

Os houthis afirmaram, em um comunicado publicado no Telegram, que "realizaram uma operação militar de grande impacto contra dois petroleiros sauditas que violaram o bloqueio", identificando as embarcações como Encelia e Layla.

O grupo controla o Estreito de Bab el-Mandeb, no extremo sul do Iêmen, passagem obrigatória para os navios que seguem em direção ao Canal de Suez, rota que leva à Europa.

A agência britânica de segurança marítima UKMTO informou que um projétil atingiu um navio petroleiro no mar Vermelho, ao largo da costa da Arábia Saudita.

Olho por olho

"Toda vez que a República Islâmica do Irã atacar uma embarcação no Estreito de Ormuz, seja com mísseis, drones ou qualquer outro tipo de arma ou munição, os Estados Unidos bombardearão e destruirão UMA PONTE OU UMA USINA DE ENERGIA", escreveu Trump em sua rede social, Truth Social.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, respondeu que seu país dará uma resposta contundente caso suas infraestruturas civis sejam atacadas.

"Nossa doutrina de defesa é clara: olho por olho. Qualquer ataque contra o Irã, incluindo nossas infraestruturas, provocará uma resposta contundente e decisiva", afirmou Araghchi na rede social X.

No entanto, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, assegurou que Washington continua disposto a buscar uma solução diplomática com o Irã.

"Continuamos abertos a resolver isso por meio da negociação. Mas, por enquanto, eles não parecem interessados nisso", declarou Rubio durante uma reunião de ministros do Sudeste Asiático, em Manila.

Segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, os contatos diplomáticos com Washington continuam.

À medida que a guerra se aproxima de cinco meses de duração e as eleições de novembro nos Estados Unidos se aproximam, Trump enfrenta uma forte pressão para encerrar o conflito.

Os críticos apontam o elevado custo da guerra, que o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, estimou em 37,5 bilhões de dólares (R$ 189,8 bilhões), ao mesmo tempo em que solicitou ao Congresso outros 67 bilhões de dólares (R$ 340 bilhões).

Trump minimizou as pesquisas de opinião e afirmou que "os americanos não querem preços altos para a gasolina, mas não são contra a guerra".

O presidente participou nesta quarta-feira de uma cerimônia para receber os restos mortais de quatro militares americanos mortos no conflito, um tema extremamente sensível para a opinião pública.

"Todos eles afirmaram, com grande convicção, que não podemos permitir que o Irã tenha uma arma nuclear. Portanto, vamos honrá-los", declarou, ao mencionar uma das razões que levaram ao início da guerra, em 28 de fevereiro, com bombardeios conjuntos realizados pelos Estados Unidos e por Israel.

Complexo militar

O presidente republicano já havia assegurado que o próximo alvo de Washington poderia ser um complexo subterrâneo em Kuhe Kolang-e Gaz La, perto de Natanz, onde as agências de inteligência ocidentais suspeitam que o Irã esteja construindo uma instalação não declarada de enriquecimento de urânio.

O comando militar iraniano (Khatam al Anbiya) advertiu que consideraria o ataque "uma expansão da guerra", enquanto o porta-voz do ministério das Relações Exteriores afirmou que "a obsessão de Washington com Kuhe Kolang, onde não se realiza nenhuma atividade nuclear, não é mais que um pretexto inventado para a agressão, a destruição e a sabotagem".

No Kuwait, o exército declarou que suas defesas antiaéreas estão interceptando drones procedentes do Irã, enquanto a Jordânia afirmou ter derrubado quatro mísseis iranianos e quatro drones.

Sirenes de alerta também soaram no Bahrein e um correspondente da AFP em Manama ouviu uma explosão.

O Exército iraniano declarou que tinha atacado alvos americanos no Kuwait e no Bahrein, incluindo sistemas de defesa aérea, instalações de radar e prédios administrativos.

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