EUA criticam presidente da Nicarágua por acabar com eleições
Daniel Ortega está no poder ininterruptamente desde 2007, após um mandato presidencial anterior na década de 1980
Publicado: 21/07/2026 às 19:08
Daniel Ortega, presidente da Nicarágua (AFP PHOTO / EL 19 DIGITAL / CESAR PEREZ)
Os Estados Unidos reagiram hoje ao anúncio do presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, de acabar com as eleições no país, numa tentativa de impedir a oposição de chegar ao poder.
“A declaração de Daniel Ortega de que a Nicarágua nunca realizará eleições sob a ditadura da sua família revela a sua verdadeira natureza autoritária”, acusou Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano.
Enquanto isso, os movimentos de oposição nicaraguenses no exílio esperam que a pressão da comunidade internacional abra caminho a uma transição ou à realização de eleições. Daniel Ortega está no poder ininterruptamente desde 2007, após um mandato presidencial anterior na década de 1980.
"Não vai haver mais eleições aqui para que tentem tomar o governo e o poder. Os dias em que os partidos apoiados pelos ianques e pelos somocistas regressavam ao poder acabaram, nunca mais", afirmou Ortega durante as comemorações da Revolução Sandinista de 1979, na qual ajudou a derrubar a ditadura de Anastasio Somoza.
O discurso marcou um endurecimento autoritário com o anunciou da criação de leis para barrar opositores a quem Ortega classifica como golpistas e traidores da pátria.
Daniel Ortega é um ex-guerrilheiro da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), um partido político socialista e movimento de esquerda da Nicarágua, responsável por liderar a revolução que acabou com mais de 40 anos de ditadura de Somoza. O presidente sandinista implementa agora o mesmo tipo de controle de poder e a Nicarágua vive uma grave crise política. Em 2018, Ortega respondeu aos protestos antigovernamentais com uma repressão que resultou na morte de mais de 300 pessoas. A partir de então, cancelou o registro e confiscou os bens de mais de 5.600 organizações da sociedade civil, que atinge principalmente instituições, incluindo ONGs católicas, universidades, entidades beneficentes e câmaras de comércio.
A última eleição na Nicarágua, em 2021, foi amplamente contestada após Ortega ter ordenado a detenção de opositores e líderes empresariais, além de criminalizar a dissidência. Em 2025, consolidou ainda mais o seu poder por meio de uma série de reformas constitucionais que incluíram a nomeação da sua mulher, Rosario Murillo, como co-presidente e o alargamento do mandato presidencial para seis anos. Ele e Rosario Murillo controlam praticamente todos os aspectos na estrutura do governo, incluindo as Forças Armadas e o sistema judicial.
O governo de Ortega e de Murillo já foi acusado pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações UNidas de transformar o país num Estado autoritário e de violar sistematicamente os direitos humanos.